Brazi JN Rapidão
Cuidando das emoções

Isolamento social impõe cuidar das emoções

O isolamento mudou radicalmente o estilo de vida e as práticas do trabalho.

25/05/2020 16h15Atualizado há 4 meses
Por: Lameck Valentim
Fonte: Mundo Cidadão

José Osmando de Araújo – Jornalista

 

Milhões e milhões de pessoas estão fechadas em suas casas, mundo afora, devido à pandemia do novo Coronavírus, impondo uma situação sem registro neste nosso século, que deixará marcos históricos e culturais incontornáveis para os próximos anos, somando-se aos milhares de mortos e aos estragos econômicos sem precedentes na história recente da humanidade.

O isolamento social fez-se determinante. Todos somos impelidos a ficar em confinamento, dentro das nossas próprias casas, embora, ironicamente, juntos mas separados,  tudo por uma causa maior:  conter a ação incontrolável do vírus, que ninguém conhece e contra o qual não existe remédio conhecido e eficaz.

Tal isolamento mudou radicalmente o estilo de vida e as práticas do trabalho, carregando um espantoso medo da contaminação, nossa e dos outros, e condenando cada um à diminuição, e até mesmo a eliminação, do contato físico, do toque, do abraço entre pessoas queridas, uma característica muito próprio da nossa cultura latina.

Tem-se, daí, que muitas pessoas estão sendo tomadas por um estresse agudo, caindo num sentimento de vazio e solidão, bem próximo daquela nostalgia letárgica, que é a muito estranha sensação do Nada.

Na verdade, esse compulsório isolamento mexe com a questão básica da nossa liberdade, pois não podendo exercê-la na plenitude à qual estávamos acostumados, somos possuídos por um sentimento de incapacidade, e às vezes de inutilidade.

Diante desse ambiente inquietante, a primeira coisa que nos toma a mente é buscarmos saber como será o  amanhã. O que acontecerá a nossa vida e à vida dos outros, depois que a pandemia passar?

E disto ninguém sabe, pois esse vírus invisível e desconhecido atua sobre todos e ninguém tem conhecimento de quando vai parar. Assim como ninguém pode saber como será o emprego, a economia, os negócios, a escola, a faculdade, o lazer, o transporte, as relações com as pessoas, depois que esse incômodo mortal decidir ir embora. Nem mesmo sabemos se ele irá embora algum dia.

A primeira consequência desses questionamentos irrespondíveis, é a gente ficar com a mente confusa, pois esse não saber como nem quando é fator causal de insatisfação, insegurança, de desequilíbrios neurofisiológicos.

Dia desses li a manifestação de uma psicóloga paulista, da Universidade de São Carlos, Larissa Souza, chamando a atenção para a necessidade de darmos atenção a coisas que antes não eram foco da nossa preocupação

Diz ela que a consequência do vírus e do seu agregado,  o isolamento, é mostrar que a vulnerabilidade humana é muito significativa e que todas as coisas precisam de um processo para se estabelecer. A tendência que temos para uma necessidade muito imediata acaba caindo nessa insuficiência. Olhar para essa fragilidade também representa um processo interno que vem de encontro com a vulnerabilidade e fragilidade que todo ser humano possui.

O psiquiatra Octavio Panan nos chama atenção para o fato de que as pessoas se desesperam, querem saber de tudo que o rádio, a internet e a televisão estão divulgando, comprar todos os mantimentos e remédios, mas esquecem da angústia e da tristeza por trás de todo esse movimento.

Daí ser rigorosamente necessário cuidar das nossas emoções. Pois somos nós mesmos, e mais ninguém, que haveremos de dar atenção a nossas angústias e solidão, antes de sermos forçados a cair no divã. É importante saber que as boas relações com a família e os amigos, a visão e compreensão que temos do mundo, das outras pessoas, da natureza, dos animais, das montanhas e florestas, de rios e lagos, dos pássaros e de seus cantos, têm enorme influência na nossa harmonia.

Mas, pessoalmente, é primordial cada um de nós cultivar apreço às emoções e dar atenção especial a sua saúde espiritual e mental.

Particularmente, um dos recursos que mais me fazem bem é a leitura. Aliada à arte, a literatura é uma companhia sempre necessária, uma fonte de sabedoria, conhecimento e sossego. Uma viagem que cura. Um alimento imprescindível à própria vida.

 

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