Brazi JN Rapidão
Entrevista

Em entrevista, médico cardiologista Dr. João Paulo Reis fala sobre cuidados com a saúde do coração

Médico passará a atender em Oeiras na Clínica Materno Infantil.

01/06/2020 08h39Atualizado há 4 meses
Por: Lameck Valentim

Após 14 anos de formação em grandes centros, passando por residências médicas em hospitais que são referências para o Brasil e América Latina, o médico cardiologista e arritmologista Dr. João Paulo Reis está de volta a Oeiras e iniciará os seus atendimentos na cidade.

 De uma família bem conhecida em Oeiras (filho da ex-vereadora Sassá e de Paulo Hércules) Dr. João Paulo chega para ampliar os serviços de saúde que têm crescido a cada dia na Primeira Capital do Piauí.

 O jovem médico concedeu uma entrevista ao Tô no Mural, falando sobre sua trajetória, a saúde do coração, e os serviços que oferecerá em Oeiras e Teresina. Confira!

 -Dr. João Paulo, inicialmente queremos que faça a sua apresentação, citando também a sua formação.

Sou médico Cardiologista Arritmologista, tenho 29 anos, oeirense, ingressei no curso de Medicina na Universidade CEUMA, em São Luís, no Maranhão, com 17 anos, chegando a concluir o curso com 23 anos em 2013. Desde então, trabalhei, durante 6 meses, como médico plantonista da Unidade de Pronto Atendimento de Oeiras(UPA) e no Programa de Saúde da Família da Unidade Básica de Saúde do Povoado, Oitis, em Colônia do Piauí e na Unidade Básica de Saúde do Povoado Morro Redondo, em Oeiras. Logo em seguida, ingressei no Programa de Residência Médica, em Clínica Médica, por um período de 02 anos, pela Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, tendo a oportunidade, durante esse tempo, de estagiar em serviços de referências e de excelências no Brasil e na América Latina, como no Emílio Ribas (referência em Infectologia), no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo-IAMSPE (referência em Pneumologia e Gastroenterologia ), no Hospital do Coração de São Paulo-Incor  ( referência em Cardiologia no Brasil), no Hospital do Rim da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo ( referência em Nefrologia no Brasil), assim como em Emergências Clínicas e Unidades de Terapia Intensiva Grandiosas do SUS, como nas do Hospital Municipal Vereador José Storopolli-HMVJS, na zona leste de São Paulo. Em seguida, dentro da Clínica Médica, resolvi seguir a Cardiologia. Sendo aprovado para a realização de 2 anos em Cardiologia Clínica e 01 ano em Eletrofisiologia Clínica e Arritmias Cardíacas. Ambas formações, no campo da Cardiologia, foram realizadas em dois dos três maiores Centros de Cardiologia do País: O PROCAPE, Pronto Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco, com sede em Recife-Pernambuco (referência em Cardiologia do Norte-Nordeste) e no Instituto de Cardiologia do Estado de São Paulo Dante Pazzanese- IDPC ( referência em Cardiologia no Sudeste), localizado na zona sul de São Paulo, Capital.

 -Você é um médico novo, com especializações em grandes centros e que teve acesso a técnicas modernas. A medicina, em especial a cardiologia mudou bastante nos últimos anos. Poderia citar alguns exemplos de novidades na área que surgiram nos últimos anos?

A medicina evolui todos os minutos, em especial no campo da Arritmologia (minha subespecialidade na Cardiologia), podemos citar os grandes avanços em técnicas de ablação (procedimentos) que fazem parte do tratamento curativo definitivo de diversas arritmias cardíacas. Além dos avanços no campo da Arritmologia molecular, aonde se tem cada vez mais evidência sobre terapias no campo da intervenção molecular e na genética das doenças arritmológicas. Em outros campos da cardiologia como a Hemodinâmica, também podemos citar os procedimentos, como o implante por cateter de prótese aórtica (TAVI, do inglês Transcatheter Aortic Valve Implantation) ocupando destacado papel, nos últimos anos, devido à sua eficácia em promover benefício sintomático e reduzir a mortalidade de pacientes idosos com estenose aórtica que apresentam alto risco ao serem submetidos a cirurgias abertas e bastante invasivas.

 -Depois desse tempo vivendo em grandes centros, você retorna a Oeiras. Além de ficar perto da sua família, o que motivou a sua volta para Oeiras?

Passar 14 anos morando longe de casa, em busca de meus objetivos e sonhos, foi, sem dúvida, o obstáculo maior em toda minha história. Voltar ao convívio dos parentes, em especial, agora, com o nascimento de minha primeira sobrinha, foi mais um fato motivador do meu retorno, porém a vontade de trazer conhecimento, somar experiência profissional ao campo da saúde da cidade que nasci e estudei por muitos anos da minha vida, pesou também nessa minha decisão, assim a oportunidade de ajudar tantos amigos conterrâneos a terem uma qualidade de vida e saúde mais favoráveis, também foram elementos que me motivaram a voltar à minha terra.

 -Como você avalia a medicina em Oeiras? Que evoluções você aponta e o que ainda temos que mudar?

A Medicina de Oeiras vem crescendo bastante nos últimos anos. Temos a honra de contarmos com muitos profissionais capacitados em diversas áreas da medicina, além de nos últimos anos termos ganhado bastante com a inauguração da UPA de Oeiras, Unidade de Pronto Atendimento, que assiste além de Oeiras, diversas cidades vizinhas. A inauguração da UTI, para mim, foi o maior avanço de todos os tempos nessa área que milito. Ter uma Unidade de Terapia Intensiva, no HRDC, é um privilégio enorme, principalmente em momentos difíceis para saúde pública, como nessa pandemia do covid-19, em um país que sofre com um SUS desgastado. Como em todos os rincões do interior desse País, acredito que ainda precisamos avançar na medicina especializada, ainda carecemos da falta de algumas especialidades médicas fundamentais nas pequenas cidades, inclusive tenho a honra de ser o primeiro médico com formação especializada em Arritmologia na nossa cidade, área que abrange o tratamento especializado dos doentes acometidos por problemas de arritmias cardíacas, que são uma das maiores causas de morte súbita cardiológica na atualidade, e que consiste na disfunção do ritmo normal cardíaco.

 -Hoje em dia qualquer pessoa pesquisa na Internet e lá, muitas vezes, aparecem conteúdos errados. Como saber se o conteúdo tem credibilidade e qualidade?

Infelizmente estamos em uma era da internet e das redes sociais em que muitas pessoas vivem de compartilhar Fake News. No campo da medicina existe uma enxurrada dessas famigeradas Fake News, o que é muito preocupante, pois com saúde não devemos brincar. Insisto sempre com a população e meus pacientes a buscarem acompanhamento especializado, não se automedicarem por notícias de rede social, por orientações de leigos, de não profissionais da saúde. A medicina tem como base a ciência, a evidência e os estudos. Neles sim, encontramos as respostas corretas para diagnósticos e tratamentos corretos. Buscar a avaliação profissional com o seu médico de confiança é o primeiro passo para não cair em notícias de cunho duvidoso.

 -Quais as doenças, relacionadas ao coração, mais comuns, e quais os fatores de risco dessas doenças? 

As doenças cardiovasculares são as principais causas de morte em nosso país e no mundo. Mais pessoas morrem anualmente por essas enfermidades do que por qualquer outra causa. Estima-se que 17,7 milhões de pessoas morrem, por ano, por doenças cardiovasculares, representando 31% de todas as mortes em nível global. Podemos citar entre as mais prevalentes: Hipertensão Arterial Sistêmica, Síndrome Coronariana Aguda (Infarto Agudo do Miocárdio) e Arritmias Malignas, como Taquicardia Ventricular. A maioria das doenças cardiovasculares pode ser prevenidas por meio da abordagem de fatores comportamentais de risco – como o uso de tabaco, dietas não saudáveis e obesidade, falta de atividade física e uso nocivo do álcool, utilizando estratégias para a população em geral. Para as pessoas com doenças cardiovasculares ou com alto risco cardiovascular (devido à presença de um ou mais fatores de riscos, como hipertensão, diabetes, hiperlipidemia ou doença já estabelecida) é fundamental o diagnóstico e tratamento precoce, por meio de serviços de aconselhamento ou manejo adequado de medicamentos e realização de exames cardiológicos de rotina.

 

 

 -Muita gente ainda pensa que a hipertensão é uma doença que atinge apenas pessoas acima dos 40 anos. Em que momento é possível diagnosticar a hipertensão?

As doenças cardiovasculares são responsáveis, aproximadamente, no Brasil, por 300 mil mortes por ano, e o pior é que essas doenças do coração estão acometendo problemas nas pessoas, cada vez mais cedo, ainda jovens. Várias doenças estão diretamente relacionadas ao modo de viver da sociedade. Na medida em que a modernização ganha espaço, as pessoas mudam seus hábitos de vida. O sedentarismo, associado à má alimentação leva as pessoas a adquirirem doenças que se constituem fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como por exemplo, o diabetes mellitus, a hipertensão arterial e obesidade. Todos esses fatores fazem com que haja um enfoque ainda maior na promoção da saúde, no bem estar e na prevenção da doença. Assim, muitos jovens, não somente adultos, são acometidos por essas doenças, na prática cardiológica. A hipertensão é uma doença silenciosa e seu diagnóstico quanto mais precoce mais válido, principalmente em jovens para se evitar as suas complicações patológicas. Medir a pressão regularmente é a única maneira de diagnosticar a hipertensão. Pessoas acima de 20 anos de idade devem medir a pressão ao menos uma vez por ano. Se houver casos de pessoas com pressão alta na família, deve-se ser feito ao menos duas vezes por ano.

 -Alguns hipertensos sabem que têm o problema e ainda assim teimam em não fazer o tratamento medicamentoso. Quais os riscos para esse tipo de paciente?

A hipertensão arterial sistêmica sem adesão ao tratamento, seja ele não farmacológico, que consiste em mudanças de hábitos de vida( como as práticas para boa saúde cardiovascular , orientadas pela sociedade americana de Cardiologia-American Heart Association) como: Ingestão de pequena quantidade de gorduras saturadas e açúcares complexos, Média de pressão arterial abaixo de 120/80 mmhg, cessação do tabagismo, colesterol total abaixo de 200 mg/dL, índice de massa corporal abaixo de 25 kg/ m2, pouca ingestão de bebidas alcoólicas e prática regular de atividades físicas,  bem como a não adesão ao tratamento medicamentoso,  orientado e prescrito com medicamentos por seu médico, levam a diversas complicações em diversos sistemas do corpo: como Disfunção Renal , Arritmias Cardíacas, Insuficiência Cardíaca Congestiva, Alterações nas Artérias, Angina, Infarto do Miocárdio, Acidente Vascular Cerebral (AVC), do tipo Isquêmico ou Hemorrágico, Edema do pulmão, Alteração Ocular que levam à cegueira, sendo, essas, todas consequências da Hipertensão,  com riscos iminentes de morte súbita.

 -Quais os fatores que pode causar uma arritmia e como detectá-la? 

A Arritmia Cardíaca é uma condição caracterizada por alterações no ritmo cardíaco normal (nos batimentos do coração). Dentro das arritmias, existem as taquicardias (quando o ritmo é acelerado) e as bradicardias (quando o ritmo é lento demais). Ambas podem se agravar e levar ao colapso do coração. O quadro cobra investigação médica, porque compromete o bombeamento do sangue para o corpo e chega a levar, em casos extremos, a morte súbita. A Arritmia Cardíaca mais prevalente na população é a fibrilação atrial, marcada por uma falha na condução dos estímulos elétricos que fazem o músculo cardíaco bater. O coração, nesses casos, “treme” e pode causar muitas consequências, como a formação de coágulos que migram na circulação sanguínea e causam AVC. Os principais fatores de risco são: Tabagismo, Sedentarismo, Sobrepeso e obesidade, Apneia do sono, etilismo, distúrbios da tireoide, hipertensão arterial sistêmica, diabetes, estresse e predisposição genética. O diagnóstico deve ser precoce, clínico, que consiste na detecção de sintomas como: Palpitações, tontura, sensação de desmaio, dor no peito e falta de ar, além do diagnóstico a ser realizado através de laudos de alguns exames especializados como: o HOLTER de 24 horas, que inclusive começarei a laudar e realizar dentro da cidade de Oeiras, que após uma gravação de 24 horas do ritmo cardíaco, podemos através dos traçados avaliar se o paciente possui arritmias cardíacas e classificá-la quanto a gravidade e prevalência.

-Sempre choca a opinião pública quando um jovem ou atleta tem morte súbita.  Quais os problemas mais comuns que levam à morte súbita?

A morte súbita é definida pela OMS como a morte inesperada, dentro de uma hora do início dos sintomas ou, em casos de morte não testemunhada, quando a vítima foi vista em “boas condições de saúde”, nas 24 horas prévias ao evento. As causas variam de acordo com a idade. Vale a pena citar que as causas de morte súbita, apesar de em sua grande maioria serem de causas cardíacas, também podem ter outras causas, como as neurológicas, podemos citar o acidente vascular encefálico e a ruptura de aneurisma e as causas pulmonares, como tromboembolismo pulmonar e por intoxicações, como pelo uso de drogas ilícitas. Dentre as causas cardíacas, em pacientes acima de 35 anos, a prevalência é maior de doenças como Infarto Agudo do Miocárdio. Em jovens, abaixo de 35 anos, apesar da incidência de infarto ter crescido bastante nos últimos tempos, as doenças de caráter genético como Cardiomiopatia Hipertrófica, Displasia Arritmogênica do Ventrículo Direito, Canalopatias, como a Síndrome de Brugada são causas bem evidentes e que precisam ser investigadas com cautela nessa faixa etária.

 -Profissionais de saúde às vezes comentam que tem sido comum jovens chegarem aos hospitais passando mal por causa de noitadas, álcool, energéticos... Isso pode desencadear arritmia?

Sim, apesar de serem causas menos comum, o abuso de substâncias que podem levar a arritmias malignas como alguns medicamentos ou drogas ilícitas (cocaína, maconha, ecstasy, crack, suplementos nutricionais com excesso de cafeína, remédios para emagrecer que possuem em suas fórmulas anfetaminas, hormônios tireoidianos, diuréticos e outros) são causas comprovadas de desenvolvimento de arritmias cardíacas, com risco alto de morte súbita.

 -Quais os benefícios da atividade física e que tipo de exercício é o mais indicado?

As atividades físicas geram uma grande quantidade de benefícios para o nosso corpo e também para nossa mente. É por isso que a prática dessas atividades é tão recomendada por todos os profissionais de saúde. Podemos citar vários benefícios, a respeito da importância das atividades físicas. Essas, feitas regularmente, previnem o desenvolvimento de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, As atividades físicas controlam os níveis de colesterol, podem ser importantes aliadas no tratamento da depressão, ansiedade, melhoram o condicionamento muscular e também cardiorrespiratório, são importantes para o controle de peso, melhorar dores e diminuir a incapacidade funcional, melhorar a qualidade do sono, elas  melhoram o desempenho cognitivo, reduzem o estresse e aumentam a sensação de bem-estar. Quanto a qual seria a melhor atividade física, será aquela que o paciente faz com prazer e sinta-se bem, desde que acompanhada por profissionais capacitados e respeitando seus limites. É de grande importância a liberação por profissionais cardiologistas principalmente para a realização de atividades de grande impacto como ciclismo, crossfit e academias diversas. Inclusive já temos na literatura a morte súbita de jovens que ainda insistem em fazerem atividades físicas sem liberação e orientação médica, por conta própria. Segundo a OMS, 30 minutos diários de atividade física de intensidade leve ou moderada, em cinco dias da semana, ou 20 minutos diários de atividade física de intensidade vigorosa, em três ou mais dias da semana, já são de bom tamanho para a prevenção de doenças cardiovasculares.

 -A todo instante vemos especialistas em diferentes meios de comunicação dando o alerta sobre o sedentarismo e a má alimentação. O que ainda falta para as pessoas terem mais cuidado com a própria saúde?

Costumo dizer que o ser humano sempre possui o hábito de não se ver inserido nas estatísticas, porém elas existem e precisam ser respeitadas. Acredito que a informação e a procura por profissionais capacitados sejam as principais saídas para que as pessoas passem a se conscientizarem mais da importância de adotar hábitos de vida saudáveis, o mais precoce possível. O tratamento de doenças não consiste somente em remédios. A prevenção é sem dúvidas, o pilar e a parte mais importante de qualquer tratamento de doenças crônicas. E a prevenção só ocorre com informação! Não há prevenção sem leitura, acompanhamento e orientação.

 -Com o avanço da Covid 19, além das orientações básicas, quais cuidados as pessoas com problemas cardíacos devem tomar?

Transmitido pelo contato próximo com as pessoas infectadas ou objetos contaminados, o COVID-19 pode ter sintomas semelhantes ao resfriado, evoluindo para casos graves de insuficiência respiratória aguda. Pessoas acima de 60 anos ou que tenham doenças respiratórias, cardiovasculares estão mais propensas a terem quadros mais graves da doença. Segundo a OMS, para esta população, a instituição aconselha maior cuidado em evitar aglomerações ou locais com pessoas doentes. De acordo com o American College Of Cardiology, que lançou um boletim para orientar os profissionais de saúde quanto ao assunto, dentre os pacientes hospitalizados pelo novo coronavírus, 50% possuíam doenças crônicas, sendo que 40% possuíam doença cardiovascular ou cerebrovascular. Entre os casos fatais, 86% tinham acometimento respiratório, desses, 33% acometimento cardíaco associado e 7% acometimento cardíaco isolado. Então não há dúvidas que pacientes com doença cardiovascular entram como grupo de risco na pandemia do covid-19. A orientação, nesse momento, além das medidas básicas de prevenção, como o uso de máscaras, evitar aglomerações, lavar as mãos com água e sabão e o uso de álcool em gel a 70%, e mais do que nunca, manter as doenças crônicas estabilizadas, tomando seus medicamentos de forma correta e diária, mesmo no período da quarentena, por mais difícil que seja; manter a alimentação equilibrada, mesmo em casa, procurar fazer atividade física conforme orientada por algum profissional capacitado. Na verdade, o cuidado é o mesmo para todos. Porém, como este é o grupo de pacientes que tem o maior risco de desenvolver a forma grave da doença, mesmo tendo apenas hipertensão ou diabetes, a prevenção deve ser dobrada, para que eles não adquiram a doença. Portanto, devemos insistir em evitarem aglomerações, sempre que possível trabalhar de casa, evitar contato próximo com pessoas que voltaram de viagem de lugares onde o surto esteja mais prevalente. Isolamento domiciliar deste grupo é mais recomendado, para que não sejam contaminados com o vírus. O Ministério da Saúde, inclusive, antecipou a campanha da vacinação contra a gripe no Brasil. É fundamental que essa população se vacine, pois a gripe pode ser confundida com os sintomas da infecção pelo COVID–19. E um fator preocupante é a infecção combinada de coronavírus e influenza, que pode agravar a saúde do paciente cardiovascular.

 -Muito se tem discutido sobre o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento dos pacientes com Covid-19. Como o senhor tem visto as discussões e qual sua opinião acerca do uso?

Infelizmente, em um momento atípico como esse de pandemia, as pessoas ficam inseguranças, preocupadas e mais propensas a caírem em notícias sem cunho científico. A primeira coisa é a população escutar um profissional de saúde e não se basear em notícias de rede social. A informação quando passada de forma inverídica é também causadora importante de doenças e situações de instabilidade. Acredito que a indicação de terapias cabe aos profissionais de saúde que passaram uma vida se capacitando para momentos como esse. Em relação a cloroquina, a minha opinião de uso é a mesma orientada pelas maiores entidades científicas do Brasil e do Mundo, como as Recomendações passadas pela Sociedade Brasileira de infectologia, Pneumologia e pela AMIB(Associação de Medicina Intensiva do Brasil), que não orientam o uso rotineiro do medicamento a pacientes. Quando indicamos uma terapia, temos que seguir níveis de evidências científicas, que podem ser pelo nível de evidência A e B que possuem indicações baseadas em estudos e o nível C, somente baseado na opinião de especialistas por vivência. A indicação do medicamento cloroquina apesar de ser por um nível de evidência baixo, nível C, diante de uma pandemia, que não temos tempo para esperar estudos mais precisos, é válido. Porém, com o pé no chão, sem espaço para discursos de milagres. A indicação deve ser individualizada. Cada paciente responde de uma forma, cada paciente possui comorbidades diferentes e formas diversas de manifestação do vírus. Então, a automedicação não é aconselhada. Esperem seu médico avaliar seu risco benefício e cabe a ele, através dessa análise, decidir se você merece receber o medicamento hidroxicloroquina (ou outro), e se os benefícios superam os riscos. Até mesmo porque a cloroquina  já é um medicamento com diversos efeitos adversos, já documentados na literatura, inclusive como causa da síndrome do QT longo, que pode levar ao desenvolvimento de arritmias malignas com morte súbita, e esse risco se torna potencialmente mais aumentado em alguns pacientes, como os cardiopatas ao usarem o medicamento.

 -O Dr. João Paulo Reis passa a atender na Clínica Materno Infantil de Oeiras. Como serão os atendimentos e o que o paciente pode esperar do Dr. João Paulo?

Inicialmente, devido à pandemia, tive que adiar o início dos atendimentos e as atividades profissionais na cidade de Oeiras e Teresina. Portanto, nesse primeiro instante os atendimentos serão marcados de forma segura, respeitando o momento que estamos, com todas as precauções orientadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em horários pré-agendados. É importante falar, que apesar de estarmos nesse momento atípico, as doenças crônicas (como as cardiovasculares) não deixaram de existir. Então é fundamental a manutenção do acompanhamento, mesmo que de forma segura. Estarei recebendo pacientes durante toda a semana, inclusive nos sábados, no horário da manhã e da tarde. Mesmo depois, quando iniciar meus atendimentos no hospital São Marcos, MED IMAGEM e Hospital São Paulo, em Teresina, continuarei, ainda, prestando meus serviços em Oeiras, em dias que serão divulgados. Além da realização de consultas, aqui em Oeiras, estaremos realizando exames cardiológicos, como Teste Ergométrico, Eletrocardiograma, MAPA e HOLTER. Todos eles, fundamentais para uma excelente avaliação cardiológica. Os meus pacientes podem esperar de mim: AMOR! Acho que essa palavra resume o que significa a medicina e a Cardiologia para mim! E só com amor que termos bons resultados, até mesmo diante de resultados que exigem ciência, preparo teórico e técnico. Pretendo levar todos os conhecimentos que adquiri ao longo desses anos para a minha Oeiras, trazendo a cura, o conforto e a prevenção de todos aqueles que a mim confiarem seus segredos, seus tratamentos e suas vidas, que se tornaram amigos, que estarei sempre a disposição em ajudar.  Obrigado!

3comentários
500 caracteres restantes.
Seu nome
Cidade e estado
E-mail
Comentar
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.
Mostrar mais comentários
Ele1 - Criar site de notícias