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Saúde mental

Psicóloga Virgínia Pinheiro alerta para o aumento de estresse e ansiedade durante o isolamento social

Psicóloga é gerente de Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí.

16/06/2020 08h58Atualizado há 4 meses
Por: Lameck Valentim
Fonte: Meio Norte

O alerta da Organização das Nações Unidas (ONU) para o crescimento no número de casos de estresse, ansiedade e sofrimento emocional durante o isolamento social é uma realidade que pode ser observada nas famílias e ciclos de amigos. A pandemia da Covid-19 aumenta a necessidade do suporte clínico em saúde mental justamente em um período em que é necessário reduzir o número de atendimentos presenciais.

Morte, incerteza, doença, crise econômica, isolamento. “Esses fatores influenciam de forma significativa. A própria tristeza pela perda de entes queridos. A dificuldade da elaboração do luto, sem velórios. O medo de contaminação e não haver um tratamento. Perdas financeiras e restrições de movimento, além de mudanças na dinâmica familiar e como será o futuro. Isso adoece a população em um cenário de crise sanitária”, explana Virgínia Elaine Pinheiro da Silva, psicóloga e gerente de Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi).

Diante deste paradigma, os gestores de saúde acabam precisando criar novas estratégias para chegar àqueles que precisam de apoio psicossocial. No Piauí, a situação não é diferente. Em razão da Covid-19, o Estado adotou uma nova estratégia de atendimento em saúde mental para respeitar as limitações sanitárias impostas pela pandemia. 

Psicóloga Virgínia Pinheiro 

 

Adotando práticas de atendimento à distância, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) orienta os usuários da rede sobre o que pode ser realizado de forma remota e os casos de urgência, como a contenção de crises. A redução do fluxo dos pacientes foi estimulada pelos profissionais de saúde dos Centros de Atenção Psicossocial. 

 Busca-ativa de pacientes e atendimento remoto

 O novo protocolo tem mostrado fatores positivos, apesar da situação desafiadora. “Há a necessidade de fazer a busca-ativa de usuários para avaliação e monitoramento. Não temos percentuais de redução mas a necessidade de isolamento social neste momento, inviabilidade de transportes públicos, risco de contaminação, têm feito com que muitas pessoas não tenham ido aos dispositivos. Os profissionais têm utilizado estratégias de cuidado aos usuários através do uso de tecnologias”, explica a psicóloga Virgínia Elaine Pinheiro da Silva.

Através de políticas públicas consolidadas na rede, apesar do risco biológico, é possível realizar adequações. “Os dispositivos da rede de atenção psicossocial continuam em funcionamento, evitando a propagação do vírus, seguindo recomendações das autoridades sanitárias. Os dispositivos estão fazendo triagem, acolhimento, atendimento de crises, dispensação de medicações e estratégias de cuidados à distância. Também existe visita domiciliar em casos necessários”, pontua. 

 Pessoas saudáveis podem desenvolver transtornos 

 A situação aumenta o nível de estresse e ansiedade em pessoas saudáveis, além de potencializar sintomas de transtornos mentais já existentes. “As pessoas vivem emoções intensas e reações comportamentais disfuncionais, além do medo excessivo, ansiedade elevada, problemas de sono. Isso pode evoluir para um ataque de pânico, transtorno de estresse pós traumático, transtorno obsessivo compulsivo e depressão, por exemplo”, declara Virgínia.

Estima-se um aumento no número e gravidade de doenças mentais. “A ONU alerta sobre a importância dos cuidados em saúde mental, além da necessidade das políticas públicas em tratar isso como prioridade. Pela rápida disseminação da doença, além de muitas incertezas sobre o controle dela, são fatores de risco para a saúde mental da população em geral. Estudos comprovam isso. Os maiores impactos são a médio e longo prazo”, ressalta a gestora. 

O cuidado para pessoas em sofrimento psíquico pode ser realizado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), no Hospital Areolino de Abreu em urgência e emergência, além de outros dispositivos. “Houve uma redução no fluxo de atendimento, porque a população está respeitando o isolamento social, buscando os serviços apenas em extrema necessidade. Estamos buscando a continuidade dos atendimentos”, conclui a gerente de Saúde Mental. 

O alerta da ONU

A ONU alertou para a crise global de saúde mental devido à pandemia da Covid-19. O relatório diz que a saúde mental e o bem-estar de sociedades inteiras foram seriamente impactados por esta crise e são uma prioridade a ser abordada urgentemente, em razão do combate à pandemia que adoece o lado físico com um impacto maior.

O aumento no número de pessoas que precisam de serviços de saúde mental ou apoio psicossocial foi agravado pela interrupção dos serviços de saúde física e mental em muitos países.

Além da conversão de instalações de saúde mental em instalações de atendimento a pessoas com Covid-19, os sistemas de assistência foram afetados pela equipe de saúde mental infectada pelo vírus e pelo fechamento dos serviços presenciais.

Serviços comunitários, como grupos de autoajuda para dependência de álcool e drogas, em muitos países não conseguem se reunir há vários meses. “Agora está claro que as necessidades de saúde mental devem ser tratadas como um elemento central de nossa resposta e recuperação da pandemia de Covid-19”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) em coletiva à imprensa mundial.

O diretor-geral frisa a necessidade de criar alternativas e micropolítica capazes de atender este momento. “Essa é uma responsabilidade coletiva dos governos e da sociedade civil, com o apoio de todo o Sistema das Nações Unidas. Uma falha em levar o bem-estar emocional das pessoas a sério levará a custos sociais e econômicos a longo prazo para a sociedade”, acrescentou o chefe da OMS.

 

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