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Saúde

Covid: testes rápidos não são 100% seguros para dar diagnóstico, diz especialista

Infectologista explica a diferença entre os dois modelos de teste disponíveis no mercado e fala sobre como se é feita a detecção da covid-19.

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07/07/2020 17h04
Por: Lameck Valentim
Fonte: Por Maria Clara Estrela-Portal O Dia

Em tempos de pandemia, uma das principais dúvidas que paira sobre as pessoas é: peguei ou não a doença? O medo se torna ainda mais sério, quando se está diante de uma enfermidade transmitida facilmente pelo ar e pelo simples contato com a pessoa contaminada. No caso da covid-19, há estudos que comprovam que o coronavírus pode se manter em suspensão no ar, o que aumenta as chances de contágio.

A maneira mais simples e segura de se saber se contraiu ou não a doença é através dos testes de covid-19. No mercado, existem dois modelos disponíveis: o chamado RT-PCR e o conhecido teste rápido. Os dois se diferem quanto à forma de coleta da amostra e detecção do vírus no organismo. O primeiro, o RT-PCR, consegue encontrar o material genético do coronavírus no organismo do paciente. Já o teste rápido usa um método sorológico, ou seja, detecta a presença de anticorpos da covid-19 no corpo da pessoa a partir de uma amostra sanguínea. Se ela tiver esses anticorpos, significa que ela está ou já foi contaminada com o coronavírus.

O ponto que se discute é: qual deles é o teste mais fidedigno. Em conversa com o Portalodia.com, o médico infectologista do HUT, Kelson Veras, explica que o RT-PCR é mais confiável e que os testes rápidos não são 100% seguros para dar o diagnóstico da covid-19. “O teste mais fidedigno é quando você procura o próprio vírus na pessoa com suspeita. Isso é feito com um teste chamado RT-PCR, que consegue encontrar o material genético do vírus. Esse material geralmente é obtido com um cotonete enfiado bem profundo no nariz das pessoas. Esse é o mais confiável, é o teste que realmente fecha o diagnóstico”, explica.

Quanto ao teste rápido, Kelson Veras fala sobre o alto percentual de falsos negativo e falsos positivo que ele costuma dar em razão de não detectar a presença do vírus em si, mas dos anticorpos após a contaminação. “Existe a possibilidade de você dar o diagnóstico pesquisando se a pessoa tem anticorpos no sangue contra o vírus. Esses anticorpos, eles só costumam aparecer depois de sete a dez dias. Porém é um teste que não tem o mesmo poder de diagnóstico que o RT-PCR. Ele pode dar positivo e a pessoa não estar doente, e pode dar negativo e a pessoa estar doente, de modo que ele não é tão confiável”, diz Kelson Veras.

É justamente pela probabilidade de dar um resultado diferente da situação real do paciente, que o infectologista não considera o teste rápido como sendo um teste ideal para se dar o diagnóstico de covid-19. Ele explica que o ideal mesmo seria fazer o RT-PCR em todo mudo que buscasse atendimento com sintomas da doença nas unidades de saúde. Isso permitiria um monitoramento mais próximo da realidade no que respeita à disseminação do coronavírus e evitaria casos de subnotificação da doença.

No entanto, o uso do RT-PCR em massa como se faz com o teste rápido esbarra na indisponibilidade no mercado e no valor. É que ele é um pouco mais caro que o teste rápido. Enquanto o teste de detecção de anticorpos custa em média R$ 240,00, o RT-PCR pode variar entre R$ 280,00 e R$ 300,00 dependendo do laboratório e da região.

Teste rápido demanda mais tempo de infecção para detectar o vírus

 Um outro ponto negativo do teste rápido para covid-19 é o tempo que ele demorar para ser feito de modo a detectar com mais fidedignidade a presença da doença. Enquanto o RT-PCR pode ser feito do segundo ao décimo dia de contaminação, o teste rápido só pode ser feito a partir do sétimo ou décimo dia de apresentação dos sintomas. Isso significa dizer que enquanto espera para poder chegar ao período ideal do teste rápido, se pessoa que estiver de fato contaminada com a covid-19, ou se estiver assintomática, pode transmitir a doença a outras pessoas sem saber que de fato está doente.

Daí o cenário ideal ser aquele segundo o infectologista Kelson Veras, em que o teste RT-PCR é aplicado mais amplamente no lugar do teste imunológico para quantificação dos níveis de anticorpos (a sorologia ou teste rápido).

É importante lembrar, no entanto, que apesar da probabilidade de resultados inconsistentes no teste rápido, o médico pode sempre pedir a realização de exames complementares para atestar com mais certeza se o paciente está ou não com covid-19.

 

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