Samuel Valentim
Brazitaly
Crônica

O retorno da feira

Crônica de Carlos Rubem

21/10/2020 15h21
Por: Lameck Valentim

Por Carlos Rubem

 

Em 2000, ao ensejo das comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil, o Governo Fernando Henrique Cardoso, instituiu o Programa Monumenta, cujo conceito era conjugar recuperação e preservação do patrimônio histórico com desenvolvimento econômico e social nas cidades protegidas pelo IPHAN, a exemplo de Oeiras. Contava com o financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID e apoio da UNESCO.

 Superando muitas barreiras burocráticas, somente em 2004 houve a celebração de Convênio tendo como partes o Ministério da Cultura, BID, Governo do Estado, e o município de Oeiras como interveniente, para a realização daquele intento.

 No nosso caso, como resultado prático, houve a restauração Cine Teatro, Café Oeiras, Sobrado Major Selemérico e Igreja de Nossa Senhora da Vitória.

 Deste rol fazia parte o velho Mercado Público, cujas obras até foram licitadas. Este equipamento público, vergonhosamente, continua fechado há anos. Nem o município nem o governo estadual demonstram real interesse de soerguer este identitário marco civilizatório.

 É forçoso dizer que, em 2009, o então prefeito B.Sá, peremptoriamente, não aceitou que a verba destinada ao Mercado Público pelo Programa Monumenta – a fundo perdido – fossem iniciadas.

 Dizia que o próprio município faria tal investimento. Alegava que Oeiras necessitava de um novo Mercado, o que de fato era verdadeiro. Fez gestões ao governador Wellington Dias para que bancasse tal obra, secundado pelo governador Wilson Martins.

 Por sua vez, ainda na vigência daquele programa, em 2012, o Ministério Público Estadual ingressou com uma Ação Civil Pública visando dar início a tão ansiada obra.

 Para tanto, fazia necessário que os permissionários deixassem o corpo do aludido Mercado, mas o município não fazia gestões nesse sentido. Obteve-se, então, medida judicial obrigando a desocupação do prédio em comento para a execução das obras que nunca se realizaram.

 Enquanto isto, o novo Mercado estava sendo construído a passos de tartaruga, cuja inauguração se deu apenas em outubro de 2015.

 Ora, a construção do Mercado Dona Lili evidente que não atrapalharia o restauro que se pretendia fazer no velho Mercado, até mesmo porque a verba federal (Programa Monumenta) estava em poder governo estadual. Mas a fogueira das vaidades foi maior. Crasso erro de perspectiva!

 Ressalte-se que, para o restauro que seria (ou será) realizado no velho Mercado e/ou funcionamento no novo Mercado, não havia (há) necessidade de se abolir a feira popular.

 Claro que era (é) indispensável se intervir naquele comércio ambulante visando organizá-lo, padronizar os serviços que por lá eram e decerto serão prestados. Jamais, acabar o funcionamento da feira em sí.

 Sociologicamente, quem faz o uso e hábitos de uma comunidade é a sua cultura, tendo em vista suas tradições e interesse atuais, pois assim agindo, o povo está exercendo, sem dúvida, seu espaço democrático.

 E que fique bem esclarecido: ninguém, de são consciência, se debateu ou debate contra o Mercado Dona Lili. Alíás, foi um grande tento para a cidade, embora possa se questionar a sua refugada localização.

 No entanto, o seu funcionamento não tem o condão de impedir o retorno da feira livre. Meu Deus, justificativa não há!...

 É perceptível o difuso clamor comunitário pelo retorno da feira citadina. Que história é essa de que só Oeiras, no mundo inteiro, não pode ter comércio no pátio de seu Mercado?

 É bom lembrar que isto não significa que o povo deseja desrespeitar a autoridade constituída. Mas apenas que esse mesmo povo verifica que a medida tomada, isto é, a extinção da feira, vem causando danosos prejuízos à cidade. Prejuízos esses que se reflete em todas as profissões e com grande força no comércio e, mormente, para as classes sociais mais vulneráveis.

 Com descortino e humildade, cabe a gestão municipal reconhecer o engano que, impensadamente, caiu. Expressiva parcela do povo, senão a sua totalidade, quer ver este pleito atendido. Atendimento que não trará diminuição do Poder Executivo, antes, porém, o fará crescer perante a opinião pública, porque em todos os lances da administração, nos casos  JUSTOS, nunca se deve deixar de atender aos reclamos do povo.

 Oeiras ganhará com o retorno de sua feira, conquanto seja regulamentada pelo Chefe da comuna, a bem de todos.

 Quando o povo quer nenhuma força o vence!

 

*As matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores.

Nenhumcomentário
500 caracteres restantes.
Seu nome
Cidade e estado
E-mail
Comentar
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.
Mostrar mais comentários
Ele1 - Criar site de notícias