Samuel Valentim
Brazitaly
Novembro Negro

REPRESENTATIVIDADE: Marli Ferreira: a marca da educação oeirense no Distrito Federal

Nesses 25 anos vivendo no Distrito Federal fez amizades verdadeiras, mas a saudade de casa, da família sempre foi a sua companheira.

PRA NÃO PASSAR EM BRANCO

PRA NÃO PASSAR EM BRANCOEspaço dedicado ao povo negro

04/11/2020 18h04Atualizado há 3 dias
Por: Lameck Valentim

No mês de novembro, em que se comemora o mês da Consciência Negra, o Mural da Vila e o Tô no Mural farão a série de matérias REPRESENTATIVIDADE, em que contarão histórias de homens e mulheres negros de Oeiras e região.

Conheça hoje a história da professora Marli Ferreira:

 

O meu nome é Marli Ferreira da Silva. Nasci em 03 de dezembro de 1972 em Colônia do Piauí, mas ainda na infância fui morar em Oeiras, a minha cidade do coração.

         Sou filha de seu Manoel de Sinhá e da dona Sebastiana. Irmã de Marlene, Everaldo, Marcilene, Célia Petronília, Ramon e Danyllo e tia dos sobrinhos mais lindos do mundo: Ana Valéria, Everaldo Filho, João Emanuel, José Neto, Maria Júlia e Maria Clara.

         Sou de família humilde, filha de pais que sempre valorizaram a educação dos filhos. Meus pais acreditavam que a melhor herança que eles poderiam nos dar era uma boa educação. Por isso sempre levei muito a sério meus estudos. Estudei no colégio Visconde da Parnaíba, da primeira a terceira série. As minhas professoras dessa época foram a dona Deusinha e dona Raimunda, pessoas queridas que amavam a profissão e passavam isso para os seus alunos. Lembro também que nesse período usei aparelho para corrigir uma escoliose e terminei virando a atração da escola, pois naquele tempo, início dos anos 80, era tudo novidade

         Estudei no Costa Alvarenga, Estadual e fiz magistério na Escola Normal Presidente Castelo Branco. Nesse período da adolescência conciliava os estudos com a prática do meu esporte preferido: vôlei. Fiz parte de um dos times de vôlei feminino da cidade chamado A Constrular. Era um grupo maravilhoso de jovens que adoravam o esporte, mas amavam mais ainda os estudos e hoje a maioria está formado e trabalhando em diversas áreas. Dessa época tenho amizades maravilhosas como: Maísa, Marineide, Jocélia,Tati, Adleuza, Lameck...

         Em 1993 comecei a lecionar no Colégio Jean Piaget onde aprendi muito com as professoras Rossana, Ivaneide, dona Raquel e outras colegas de profissão. Lembro com muito carinho do período que trabalhei naquele colégio.

         Eu sempre gostei de morar em Oeiras e não me imaginava longe dela, mas a vida nos prega peça. Em janeiro de 1995 vim passear no Distrito Federal e terminei ficando por aqui. Em março daquele mesmo ano já trabalhava em uma empresa de seguros em Brasília. Era um mundo novo para mim que no início me causou medo. Enfrentei preconceito em forma de brincadeiras de colegas de trabalho que achavam engraçado o nome do lugar de onde eu vinha. Isso sempre me remetia a música do Belchior fotografia 3x4: “Em cada esquina que eu passava um guarda me parava. Pedia os meus documentos e depois sorria. Examinando o 3x4 da fotografia e estranhando o nome do lugar de onde eu vinha...”  Porém fiz muitas amizades e essa experiência me mostrou que eu devia focar ainda mais nos estudos para tentar passar em um concurso público na minha área, que era a educação.

         Em 1999 ingressei na Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal por meio de concurso público, graças ao meu esforço e horas de estudo. Já concursada conclui o curso de Pedagogia para Séries iniciais pelo UniCeub e a especialização em Educação, Cidadania e Educação Escolar pela Unitins.

          Desde que entrei na SEEDF participei de movimentos grevistas, pois acredito que devemos lutar por nossos direitos e pela qualidade da educação pública.

         Nos últimos anos desenvolvi com as minhas turmas de quartos anos um projeto de valorização da cultura afro-brasileira e indígena, trabalhando a Lei 11.645, por meio da literatura e utilizando figuras de afeto (bonecos de pano) representando o povo negro e indígena. A finalidade do projeto é mostrar a cultura desses povos, a importância deles na formação do povo brasileiro, na esperança de formar cidadãos sem preconceitos. Amo a minha profissão e acredito, parafraseando Nelson Mandela, que a educação é a arma mais poderosa capaz de mudar o mundo.

         Nesses 25 anos vivendo no Distrito Federal fiz amizades verdadeiras, mas a saudade de casa, da família sempre foi a minha companheira. Viver longe das pessoas que amamos é viver com o coração fora do peito. Procurei estar em Oeiras sempre que possível junto à família e amigos nas férias e em momentos especiais. Infelizmente passei por momentos difíceis de perdas de pessoas queridas como a morte do meu pai, em 2018. Aí que a vontade de voltar para casa aumentou, mas isso só será possível quando me aposentar. Então voltarei para o meu aconchego : Oeiras!

14comentários
500 caracteres restantes.
Seu nome
Cidade e estado
E-mail
Comentar
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.
Mostrar mais comentários
Ele1 - Criar site de notícias