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Novembro Negro

REPRESENTATIVIDADE - Teresa Sousa: professora de inglês, técnica de enfermagem, tem 4 cursos superiores, 4 pós graduações

Teresa Sousa é professora da Rede Estadual do Educação do Piauí.

PRA NÃO PASSAR EM BRANCO

PRA NÃO PASSAR EM BRANCOEspaço dedicado ao povo negro

13/11/2020 16h54Atualizado há 3 dias
Por: Lameck Valentim

No mês de novembro, em que se comemora o mês da Consciência Negra, o Tô no Mural realiza a série de matérias REPRESENTATIVIDADE, em que conta histórias de homens e mulheres negros de Oeiras e região.

Conheça um pouco da história de vida da professora especialista, Maria Tereza Pereira de Sousa, que é técnica de enfermagem formada, tem 4 cursos superiores, 4 pós graduações e cursando a quinta.

 

 

       Natural de Oeiras, sou filha do agricultor e ajudante de pedreiro aposentado José de Sousa e da agricultora e costureira, também aposentada, Maria do Socorro Pereira de Sousa, que são os meus grandes amores, eles são pessoas simples, humildes e que desde sempre ensinou a mim e aos meus 4 irmãos, a sermos pessoas educadas, simples e humilde como eles, a nunca querer aquilo que não nos pertence nem pedir o que eles não poderia nos dar. Então eu não poderia falar de mim sem antes falar da minha melhor e maior base, meus amados pais.

 

       Até os meus 5 anos de idade morei em um interior da zona rural de Oeiras, A fazenda Ladeira, hoje pertencente ao município de São João da Varjota. Nessa época o meu irmão mais velho, Edgar, tinha 9 anos de idade e nunca tinha ido à escola, o meu pai, na sua simplicidade, se sentia incomodado com essa situação, porque ele não queria que os seus bens mais preciosos, os filhos, lógico, se tornassem pessoas leigas, sem um conhecimento formal e ou que continuassem ali, naquele lugar, onde o nosso futuro seria a roça, literalmente falando. Foi pensando no nosso futuro que um dia ele conversou com a minha mãe, que ela teria que vir morar em Oeiras para nos colocar para estudar e ele continuaria ali trabalhando para garantir o nosso sustento. De início a minha mãe retrucou, porque tinha medo que nos faltasse a alimentação, mas graças a deus e o apoio do meu tio Jerônimo e da minha tia Martina, ela concordou com aquela ideia brilhante do meu sábio pai.

 

 

        Os primeiros anos na cidade foram bem difíceis, mas nunca nos faltou o pão de cada dia, graças a Deus, quando a roça não deu mais, o meu pai decidiu tentar a sorte em São Paulo, onde ele trabalhou cerca de 20 anos até que todos os filhos concluíssem no mínimo o Ensino Médio, vindo apenas nas férias. Hoje, com a graça de Deus está aposentado e adoro ficar balançando na sua redinha embaixo de uma latada.

 

        Ao treze anos de idade eu comecei a trabalhar em uma casa de família e também ser cuidadora de uma senhora, trabalho que mais tarde irá me motivar a fazer o curso técnico de Enfermagem. Com aquele “pagamento” que eu recebia do meu trabalho, pude comprar as minhas coisas pessoais, que meus pais não podiam me dar, ajudar meu irmão pagar uma escola que me ajudasse a conseguir passar em um vestibular para o curso de direito, que sempre foi um sonho, e também me proporcionar as minhas primeiras viagens.

 

      Nunca tive o sonho dourado de ser professora, mas tive que cursar a Escola Normal, que era o curso mais apropriado da época, como não era um curso preparatório para o vestibular, então fui estudar também na Sociedade Educacional Paulo Freire. Aos 22 anos fiz o concurso do estado para professora, sendo aprovada para o município do São João da Varjota, imaginem o sacrifício que era pra mim ter que ser professora iniciante, sem gostar e ainda ter que morar em uma outra cidade. Não era nada fácil, mas foi lá que eu conhecia muitas pessoas incríveis, fiz viagens maravilhosas e os meus alunos que eram fantásticos sempre foram os meus amigos, inclusive me ajudaram bastante quando eu tive problemas com a depressão, talvez por estar fazendo o que não gostava. Deixei pra trás o sonho de ser advogada, graças a Deus. Após 3 anos, retornei para a minha amada Oeiras, passei no vestibular pra inglês, fui convidada a trabalhar na Sociedade Educacional Jean Piaget, onde fiquei por 8 anos, escola que me aperfeiçoou profissionalmente falando.

 

 

      Trabalhei, na já extinta escola, Eva Feitosa como professora de inglês e também pude ter a experiência de ter estado na direção por 5 anos. Atualmente trabalho no CETI Desembargador Pedro Sá.  Posso dizer que sou uma pessoa realizada profissionalmente, não por ter reconhecimento por parte do governo ou da sociedade, mas porque eu sou convicta de que os meus colegas e eu contribuímos para que os sonhos dos nossos alunos sejam realizados, eu me reconheço em cada um dos meus ex-alunos formados e que atuam na profissão que escolheram, em cada ex-aluno que está em uma universidade ou faculdade e até naqueles que ainda estão decidindo o que quer cursar. Não tem como não se sentir feliz como uma profissão tão completa, graças a Deus pude trabalhar em várias escolas de alunos exemplares em sua maioria.

 

       Mas eu não gosto só de trabalhar não, amo estudar, viajar, dançar, namorar, adoro uma festinha com os amigos, eu simplesmente vivo e aproveito tudo de melhor que a vida me oferece. Hoje aquela criança negra, sem condições financeira, filha de pais simples da roça que tinham medo da cidade e muito tímida, é professora efetiva do estado, sempre disposta a lutar pelos seus direitos, é técnica de enfermagem formada, tem 4 cursos superiores, 4 pós graduações e cursando a quinta, já viajou bastante pelo Brasil, tem os melhores pais, os melhores irmãos as sobrinhas mais lindas e inteligentes, uma família maravilhosa e amigos incríveis.

 

 

      Sou uma pessoa abençoada e muito grata a Deus e a minha família por tudo que já conquistei até aqui. Que a minha fé em Deus se fortaleça cada dia mais. Obrigada.

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