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Crônica

Quem pariu João?

Crônica de Júnior Vianna

25/11/2020 19h02
Por: Lameck Valentim

Íntegro, rico e influente, esses foram adjetivos que tão bem caracterizaram o padre João de Souza Martins, Vigário Geral do Piauí por quase duas décadas. Se por um lado o seu sobrenome já dava pista de sua origem familiar, na prática isto não é bem assim. Ora, mas ele era um Souza Martins, de fato! Por parte de pai! João era filho do famigerado Visconde da Parnaíba, o popular Né de Souza para os oeirenses do século XIX. Mas quem era sua mãe?

Na literatura histórica e ficcional a respeito de Manoel de Souza Martins, ninguém mais do que Zé Expedito para tecer os melhores enredos, tendo sido no seu festejado “Vaqueiro e Visconde” que humanizou tão bem o Visconde da Parnaíba. Digo mais: não só o aludido político, mas muitos outros que tiveram a graça de conviver com ele. Assim, deu nome e vida até mesmo suas amantes, a exemplo de Sebastiana. Mas sem a prova dos “nove fora” não há como prosseguir com essa prosa. Não custa nada então indagar: terá sido Tiana a mãe biológica de João?

O Cônego não estranhamente deve ter tido uma infância como qualquer outro de seu tempo, todavia quando chegou o período de ir à escola, o pai lhe oportunizou estudar na Boa Esperança, reduto educacional mantido pelo intelectual Padre Marcos de Araújo Costa (Primo do Visconde). Dalí o menino João partira para São Luiz do Maranhão onde foi ordenado sacerdote secular da Igreja Católica.

Ao retornar para Oeiras onde ocupou o posto de pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Vitória, esteve sempre alinhado com o pai, era um viscondista convicto, um liberal aguçado e respeitado por todos. Mas mesmo diante sua formação religiosa não há nenhum registro de sua relação com sua mãe, somente com o pai.

Se fosse filha da puta, preferiu ser filho apenas do pai! João soube honrar o sobrenome paterno em todas as searas, fosse na política, ou mesmo na cama, quem disse que ele não tivera lá suas amantes? Abafemos o caso! Amém?! Amém!

João morreu em 1876 e legou todos os seus bens a sua irmã, Dona Maria Josefa Clementino de Souza. Quanto ao seu legado histórico parece não ter se importado muito, como se quisesse deixar suprimido seu passado como assim o fez com a sua genitora. Esse Cônego é mesmo uma figura!

 Junior Vianna

 

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