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Mulheres oeirenses contam casos de violência que viveram com seus companheiros

Conheça histórias de mulheres oeirenses que lutaram contra a violência

30/11/2020 17h33Atualizado há 2 meses
Por: Lameck Valentim

Por Lameck Valentim

 

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), 7 em cada 10 mulheres vão sofrer violência ao longo de suas vidas. No dia 25 de novembro, é celebrado o Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher, data oficial das Organizações das Nações Unidas (ONU) convencionada desde a Assembleia Geral da instituição de 1999.

Em conversa com Lameck Valentim, editor do Mural da Vila,  três mulheres oeirenses que sofreram algum tipo de violência por parte de seus companheiros e que nos relataram o que passaram. A Lei Maria da Penha classifica os tipos de abuso contra a mulher nas seguintes categorias: violência patrimonial, violência sexual, violência física, violência moral e violência psicológica e as mulheres ouvidas viveram esse drama.

A violência contra a mulher não escolhe raça, idade ou credo, e pode ocorrer em qualquer lugar.

Por não termos dados divulgados, muitas vezes chegamos a acreditar que são poucos os casos de violência doméstica em Oeiras. Todavia, são muitos os casos de violência contra a mulher, sendo não apenas a física, mas a psicológica e a patrimonial.

Para algumas dessas mulheres os casos de violência começaram de forma leve que não foram percebidos, pois eram permeadas por um romantismo que nunca chegaram a pensar que de alguma forma seriam violentadas.

Muitas vezes os casos só mudam os nomes das vítimas: Maria, Francisca, Laura, Carla, Fernanda... Todas viveram as dores da violência praticada pelos seus companheiros ou ex-companheiros. Em algumas, as marcas físicas são evidentes e impossíveis de serem apagadas. Outras possuem traumas que mesmo com acompanhamento profissional por anos, ainda não reencontraram sua verdadeira paz.

Conheça a história de Maria:

 Maria traz no corpo marcas que a fazem lembrar do sofrimento que passou ao lado daquele que achou ser o amor de sua vida. Marcas que começaram a tomar lugar em seu corpo em dezembro de 2015, quando se preparava para a noite de natal em casa de alguns amigos. A roupa usada por ela, que fora feita especialmente para esta noite, desagradou ao seu companheiro que exigiu que ela trocasse. Como ela se recusou, ele rasgou o vestido ainda no corpo da companheira, terminando ali uma noite que teria tudo para ser agradável. Mas foi marcante. E na pele de Maria, que após ter seu vestido rasgado, foi agredida pelo seu companheiro. “Ele nunca havia feito ameaças anteriores nos anos em que vivemos juntos. Tivemos algumas discussões, mas nunca ocorreram agressões físicas”, relembra Maria.

Naquela noite, Maria se trancou e recusou-se a sair. Disse aos amigos que fora acometida repentinamente por uma forte cólica. O companheiro foi à casa dos amigos e repetiu a história. Em casa ela ficou lembrando cada atitude do companheiro e sem entender como nunca percebera que ele pudesse ser agressivo. “A dúvida era se eu contava para os meus pais ou tentava conversar com ele e entender o motivo de eu ser agredida”, diz Maria.

Quando ele retornou, Maria fingiu estar dormindo. Mas foi “acordada” pelo companheiro que queria fazer amor. Ela alegou que não conseguiria devido às dores que estava sentindo em decorrência da agressão. Ele apenas riu. E forçosamente a agarrou não importando com as suas dores. Ao se satisfazer, virou-se para o lado e dormiu.

Aquela foi a pior noite da minha vida. Eu amava aquele homem. Foi meu primeiro namorado, e por muito tempo foi meu príncipe encantado. Ainda me questiono como não percebi que ele pudesse ser tão agressivo. Depois de tudo, corri para o banheiro, tomei banho e só chorava. Queria sair dali, mas me faltava coragem. Dormir foi algo impossível!”, lamenta-se Maria.

No dia seguinte, logo ao acordar, seu companheiro comportou-se como se nada tivesse acontecido. A cumprimentou com um beijo e diante da frieza de Maria, perguntou se algo tinha acontecido. “Eu apenas olhei pra ele e baixei os olhos com muita dor”. Como era 25 de dezembro, o almoço seria na casa dos pais dela e o desafio era esconder sua dor, sua tristeza e as marcas que ainda estavam vivas em partes de seu corpo.

Logo ao chegar à casa dos pais, ela lembra que tentou sorrir, brincar com os sobrinhos. O companheiro logo foi conversar com o sogro e demais familiares como se nada tivesse acontecido. Mas a tristeza de Maria mesmo em meio a sorrisos foi percebida por sua irmã. Questionada, Maria disse estar tudo bem, que acontecera uma pequena discussão em casa. Não satisfeita a irmã insistiu e Maria disse que após o almoço conversariam.

Foi perceptível para todos o comportamento estranho de Maria. A irmã tentava ajudar sempre mudando de assunto. O companheiro relembrou a história da forte cólica, que foi confirmada por ela. O almoço transcorreu sem que retomassem o assunto, mas a sua irmã estava curiosa por saber o que realmente acontecera. Porém, a proximidade entre as irmãs chamou a atenção do companheiro de Maria, que logo inventou uma desculpa para irem embora, fato que fez com que a irmã tivesse a certeza de que algo grave estava acontecendo.

Logo retornaram para casa e ao chegar ela viu que o pior estava por vir. O companheiro foi taxativo: “se comentar com sua irmã ou com quem quer que seja o que houve na noite anterior você verá que tudo pode ser ainda pior. Eu transformo sua vida num inferno”. Maria disse que viu um olhar nunca visto antes em seu companheiro e que sentiu muito medo e que manteria seu silêncio.

Passaram-se alguns dias, sua irmã insistindo para conversarem, pois sabia que algo estava acontecendo, ela fingindo estar tudo bem e o companheiro mostrando-se bom moço para os amigos e familiares. A irmã sempre desconfiada buscava de todas as formas saber o que estava acontecendo.

Depois de dias de calmaria, com o companheiro fingindo-se de bom moço, uma nova discussão terminou em agressão, sendo tão grave ao ponto de Maria fraturar dois dedos da mão. E dessa vez não teve como esconder a verdade da sua irmã, que a levou ao hospital, onde disse ter sido um acidente doméstico.

Depois de atendida e por insistência da irmã, Maria não retornou para sua casa, dormiu na casa da irmã que buscava uma forma de por um fim às agressões. Antes de dormir, ela contou como tudo começou, com detalhes, provocando a revolta da irmã que disse que ela não voltaria mais para a sua casa. Mas Maria disse que não, que aquilo não mais aconteceria mais e que após uma conversa com o companheiro, tudo voltaria ao normal.

E mesmo contra a vontade da irmã, Maria voltou. Foi recebida com muito carinho pelo companheiro fazendo com que acreditasse que ali estava o homem carinhoso por que se apaixonou. Novamente foram dias de plena paz. “Tudo foi tranquilo. Mas porque eu fazia todas as vontades dele. Deixei de ter opinião própria, deixei de ter minha liberdade, de fazer as coisas que eu gostava só para não desagradá-lo, pois sabia que se isso ocorresse eu seria agredida. Perdi minha autoestima e até mesmo os momentos de intimidade entre nós eu tinha que desviar o pensamento para conseguir ter. Tudo pra mim passou a ser mecânico”, relata.

Mas foi em uma situação de maior intimidade que vieram as agressões mais severas. O companheiro percebeu o jeito frio de Maria e começou a agredi-la verbalmente, usando palavras chulas. Maria apenas chorava, o que deixava o companheiro ainda mais agressivo, chegando a empurrá-la da cama e no chão agredi-la com chutes e pontapés, chegando a quebrar um dente e a fazendo sangrar muito.

Sabendo que Maria pediria ajuda a sua irmã, ele a trancou no quarto, tomou seu celular e foi dormir na sala. Mas Maria estava disposta a não continuar a ser violentada, agredida e ali, em meio às dores e lágrimas decidiu que sairia daquela situação.

Sempre que a agredia, no dia seguinte o companheiro a tratava com carinho, como se nada tivesse acontecido. Maria fingiu aceitar os carinhos dele e disse que tudo seria diferente, que o amava e queria uma vida de paz com o companheiro. Eles se beijaram e ele acreditou que Maria estava sendo sincera.

Logo que ficou sozinha, ela entrou em contato com a irmã e juntas foram à delegacia onde registraram um boletim de ocorrência, logo depois foi feito o exame de corpo de delito. “Ir a uma delegacia composta só por homens não é algo agradável. A gente percebe sempre aquele olhar de desconfiança. Ser atendida por homens em um caso desse não é algo confortável”, relembra.

Ao sair da delegacia, Maria reuniu a família e contou tudo o que estava passando, causando revolta em todos. O pai de Maria queria ir em busca do companheiro, sendo contido pelas filhas que disse que a polícia já estava tomando as devidas providências. Mas de uma forma, que Maria ainda não sabe como, o companheiro ficou sabendo que ela fora à delegacia e o denunciara e que toda a família já estava sabendo das agressões. Ele então resolver fugir antes de ser encontrado pela família e pela polícia.

Maria não voltou pra casa, na incerteza do paradeiro do companheiro não sabia o que poderia acontecer. Permaneceu por seis meses na casa dos seus pais, indo a sua casa de vez em quando apenas para ver como estavam as coisas.

Depois de um tempo, Maria recebeu uma ligação do seu ex-companheiro, pedindo perdão. Ela apenas ouviu e disse que só queria seguir sua vida em paz. Ele não disse onde estava morando, apenas que tinha se arrependido de tudo o que fez, tinha se convertido a uma religião e que estava morando com outra mulher.

Maria retornou para sua casa. Tenta levar uma vida normal, mas ainda vive assustada. As marcas pelo corpo desapareceram, mas ficaram para sempre em sua lembrança. “Digo às mulheres: ao menos sinal de agressão, denuncie. Não se deixe levar por palavras bonitas, por atitudes que parecem ser carinhosas. Demorei a tomar coragem, eu poderia estar morta. Denuncie. Não dê oportunidades ao agressor”, finaliza Maria.

 Maria é funcionária pública, mora em Oeiras. Do relacionamento com seu ex companheiro não teve filhos. Faz terapia, tentando levar uma vida normal. Seu ex-companheiro, após fugir de Oeiras, não voltou mais à cidade. Atualmente ele vive em São Paulo, é missionário de uma igreja evangélica pentecostal e tem dois filhos com uma nova mulher.

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Ela é uma professora oeirense e também viveu uma história que parecia ser um romance perfeito. Mas não era. Com o passar do tempo, o seu Romeu mostrou a verdadeira face. Confira!

 SOBREVIVI, POSSO AJUDAR!

 Maturidade emocional, independência financeira, experiência de vida...nada disso nos torna livres de em algum momento sermos vítimas de um relacionamento abusivo.

Dentre as várias formas de violência, vou relatar a que vivi: a violência psicológica.

Engana-se quem pensa que o abusador começa te humilhando e te ofendendo. Ele começa com as mais belas frases, dedica a você boa parte do seu tempo, faz você se sentir especial e única. Diz que seu amor é leve e que ao seu lado deve se tornar alguém melhor porque antes disso, o coitadinho só teve decepções amorosas, foi enganado, traído, hostilizado e etc. Não esqueçam disso: ele sempre foi vítima nos relacionamentos anteriores, a ex namorada causou muito sofrimento ao pobre inocente que só queria ter paz. Mas ela brigava o tempo todo e ele já não aguentava mais. Até pensou em ficar sozinho porque não acreditava mais no amor, mas aí encontrou você e tudo mudou. Ele agora quer ter uma família e já temos até o nome da filha: ela vai se chamar Dakota. No início não gostei do nome mas ele me convence que era seu sonho e aí eu aceito pois segundo ele nossos sonhos serão compartilhados. Para facilitar vou chamá-lo de Romeu mas pode ser João, Aroldo, Rodrigo, Marcelo...eles estão por toda parte!

Romeu se achava um “cidadão de bem”, da igreja, “conservador” e até dava conselhos para casais da igreja que viviam alguma forma de conflito no relacionamento. Essa era uma das máscaras de Romeu, mas ele tinha várias!

Romeu conheceu minha família e nessa ocasião usava sua máscara de bom moço, que chegava cedo na minha casa porque considerava isso uma forma de respeito. Também saía cedo porque certamente ia orar antes de dormir. Insinuava à minha família que queria algo sério, mas eu ainda precisava de uns “ajustes” para ser digna dele.

Com o passar do tempo fui percebendo que suas ideias não correspondiam aos fatos e que por diversas vezes Romeu era agressivo, ciumento e possessivo. Julgava as pessoas pelos   erros que cometiam   mas era incapaz de olhar para seus próprios erros. Eu era a culpada da gente “não dá certo” porque era muito comunicativa, trabalhava com homens e ainda ia estudar a noite. Uma mulher que se preze não pode fazer um curso de Ciência Política a noite, onde já se viu isso? Mas o Romeu cada dia deixava cair uma de suas máscaras, abusava do álcool e mais coisas que ele sempre condenou. Também gostava de orgias e muitas vezes sua casa, um espaço “sagrado” que tinha umas 10 bíblias sagradas era palco de toda essa manifestação profana.

Mas eu entendi, isso era porque Romeu, pobre coitado, teve uma triste infância e ficou com traumas. Minha tarefa alí era ajuda-lo a sair dessa vida que ele dizia não se orgulhar (mas até que se divertia bastante). Mas Romeu não dava um passo para sua mudança! E as regras para namorá-lo continuavam: nada de short curto porque eu ficava linda de saia executiva, nada de barriga de fora e ele também não gostava de mulher maquiada. Isso tudo porque como ele bem reforçava, “Ele sabia namorar” e sabia as regras pra isso. Mas o Romeu andava sem camisa, bêbado e frequentava os espaços mais sombrios da Capital da fé. Tudo isso me causou muitas lágrimas e dor, mas não parou por aí. Em apenas 07 meses Romeu se relacionou direta ou indiretamente com mais de 10 mulheres. Mas a gente não postava foto porque Romeu era muito discreto (podem rir disso). Mas agora o jogo virou, eu que preciso ajudar o Romeu a não ser assim porque ele estava literalmente perdido. Chorava e pedia mais uma chance, e como eu já estava infectada pelo sentimento que ele conquistou inicialmente, sempre dava mais uma chance, aliás eu gostava muito dele e acreditava na sua mudança. O coitadinho só precisava de uma mulher que o amasse e cuidasse dele de verdade.

Romeu dizia já ter tido ótimos relacionamentos apesar de nunca serem longos, mas todas suas ex namoradas que eu conheci tinham marcas horríveis desse relacionamento e até tinham pena de mim pois já tinham passado pelas mesmas etapas de dor e sofrimento. Mas os planos continuavam...nossa casa seria pequena mas com um banheiro bem grande porque esse era o desejo do Romeu e eu sucumbia a todos . Mas as coisas foram ficando mais graves, e nãos sei por que Romeu as vezes tinha um forte desejo de me matar que ele mesmo não entendia, então de tanto me amar Romeu tinha que se afastar de mim ( agora até eu ri disso..rsrs).

Na verdade iria se afastar porque todas suas máscaras caíram e ele precisava passar para a próxima vítima. Eu já sabia que ele não era nada daquilo que postava em suas redes sociais. Mas eu quis ficar com o Romeu mesmo sabendo das suas falhas porque ele prometia que ia se esforçar para mudar. Mas não tinha jeito, a cada dia era uma história nova sobre as aventuras de Romeu procurando vítimas nas redes sociais. Frases como “Olá moça bonita”, “Obrigada pela reciprocidade” até mais íntimas como “posso te enviar uma foto?” Qual nosso nível de intimidade? Todo esse jogo para divulgar suas fotos íntimas para várias mulheres, não importam se eram irmãs ou amigas, Romeu enviava para todas, as vezes ao mesmo tempo!

Agora Romeu me culpa dizendo que eu fiquei com ele porque quis já que eu já sabia que ele era assim. Também dizia que eu não tinha um temperamento muito bom e ele já não sabia se eu era fiel. Tudo que eu fiz por Romeu desde cuidar dele, da casa e defendê-lo de todos, tudo isso agora se voltava contra mim. Ah, e eu também precisava ler mais a bíblia porque senão eu seria castigada. Para Romeu o meu Deus era  o do antigo testamento, aquele que se vinga e castiga e o dele já era o Deus misericordioso que amava e perdoaria todas suas atrocidades. Foram meses de dor e sofrimento mas pareceram anos! Fiquei muito confusa em relação aos meus sentimentos porque como eu podia amar uma pessoa tão cruel e dissimulada? Seria dependência afetiva? Não sei, só sei que as marcas deixadas por um relacionamento abusivo ficam tatuadas na nossa alma. Baixa nossa autoestima, destrói nossos sonhos e tira o brilho do nosso olhar. Pois como saber se detrás de cada prova de amor inicial não existe um Romeu preparado para atacar novamente. Sei que é difícil evitar mas peço que se algum dia um Romeu passar por sua vida, tenha forças, não desista de você nem de seus sonhos porque eu escolhi recomeçar! Acreditar que existem sim pessoas boas , que tem caráter e que isso ao invés de me destruir, deve me tornar uma mulher mais forte! E que não podemos obrigar alguém ter amor ou empatia. Isso é perda de tempo e energia. Algumas pessoas simplesmente não sentem nada e temos que aceitar isso.  E tudo que conquistei, amigos, emprego, faculdade, mestrado... não podem se reduzir a uma trágica experiência afetiva. Levanta, bota a roupa que quiser , a maquiagem que quiser e vá conquistar o mundo porque depois de tudo que passei posso me considerar “Um mulherão da porra”! Quem perdeu foi ele porque eu tinha amor e caráter pra oferecer, ele não tinha nada para oferecer! E fiquem atentas, ele está em todos os cantos e mais próximo do que vocês possam imaginar! Mas nunca se culpem por amar, o problema não está em você que amou. A sua dor vai passar, mas a dor do vazio de sempre mentir e enganar pra conquistar alguém deve ser constante. E vamos nos unir porque nem sempre uma ex namorada quer o nosso mal ou está com dor de cotovelo. Às vezes ela só quer ajudar pra você não passar por tudo que ela passou. Em caso de dúvidas, analise os fatos   e as provas! E não se importe muito com a forma que ele vai falar de você depois: agressiva, infiel, dependente...com o tempo e as atitudes algumas pessoas vão perdendo a credibilidade. Eu sei que meu caso não foi dos piores, porque eu sobrevivi e pelo menos agora posso falar! E quero poder ajudar qualquer mulher que esteja hoje vivendo um relacionamento abusivo, seja aquele que deixa marcas no corpo ou na alma.

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Outra história é de uma jovem oeirense que teve um filho com aquele que era considerado “seu melhor amigo”, mas que após a gravidez mostrou sua verdadeira face.

Confira o relato:

 Eu tinha como melhor amigo o "pai" do meu filho. Entre aspas porque pai de verdade ele nunca foi, apenas de sangue. Éramos muito próximos e acabamos por ter o que chamam de “amizade colorida”. Fato que trouxe ao mundo meu filho.

Ao saber da gravidez, o pai começou a me chantagear para que eu fizesse um aborto. E queria que fizesse a qualquer custo. Ou eu abortava ou ele se matava. Eu fui violentada psicologicamente por longas semanas.

Sofri calada. Além de contar da minha gravidez para os meus pais, precisei contar aos pais dele, para que os mesmos tomassem conta da situação porque eu não queria carregar o fardo de uma pessoa se matar por algo que eu não fiz.

Quando os pais dele tiveram ciência, e ele viu que nada lhe aconteceria, ele voltou para sua vidinha de farra e me bloqueou de tudo

Os pais dele que deveriam obrigá-lo a arcar com a responsabilidade ou ao menos procurar um emprego ou estudar (algo que ele nunca fez), o apoiaram nesses abusos todos.

Até hoje sou tida por eles como vilã. Quando eu estava desempregada e meu pai arcando com tudo na gravidez, sozinho, fui pedir ajuda a mãe dele. Ela chorou miséria, disse que era pobre. Mas, pouco menos de um mês deu um carro zero avaliado em 100mil para o filho farrear.

Isso pra mim foi a gota d'agua. Resolvi me afastar e não manter mais contato. Ela vivia dizendo que o filho mudaria após o nascimento do meu filho. Mas mudou pra pior, por que até hoje fica maldizendo a criança e falando absurdos e inverdades a meu respeito.

Para mim ele nunca mais veio falar nada, por que sabe que tenho todas as provas e BO registrado por tudo que ele me fez e ele não tem provas de nada do que fala de mim, por que é tudo mentira. Mas faz tudo pra tentar me desmoralizar. Eu cansei de sofrer calada e resolvi mostrar tudo que eu passei

Conheço muitas mulheres que sofreram situações semelhantes mas nunca tiveram coragem de falar por medo. Eu também tenho medo, não vou mentir. Mas cheguei ao limite.

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Como denunciar situações de Violência contra as Mulheres?

 Se você sofre ou presenciou algum tipo de violência contra as mulheres, denuncie. Existem diversos serviços e instituições que podem prestar o atendimento e o apoio necessários para romper o ciclo da violência.

Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher

 A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 é um canal criado pela Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres, que presta uma escuta e acolhida qualificada às mulheres em situação de violência. O serviço registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher aos órgãos competentes, bem como reclamações, sugestões ou elogios sobre o funcionamento dos serviços de atendimento.

 A denúncia pode ser feita de forma anônima Disponível 24h por dia, todos os dias. Ligação gratuita.

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