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Samuel Valentim
ALTA NOS PREÇOS

Veja a lista dos 20 produtos que mais aumentaram em 2020

Seguindo a lógica que se observou ao longo da pandemia do novo coronavírus, as 15 maiores altas são de alimentos. Isolamento social coloca vestuário e turismo entre as quedas de preço.

12/01/2021 16h13
Por: Lameck Valentim
Fonte: Meio Norte

O óleo de soja foi o grande campeão das altas de preços no ano de 2020, como mostram os dados da inflação oficial do país divulgados nesta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A lista de subitens do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tem um domínio completo dos alimentos entre as maiores altas do ano. Os 15 primeiros colocados estão na categoria. Além do óleo de soja, encabeçam o ranking o arroz (76,01%), feijão fradinho (68,08%) e batata-inglesa (67,27%).

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, a procura por alimentos se intensificou no mercado interno. A alta do dólar também tornou produtos brasileiros mais competitivos no exterior, elevando as exportações e gerando impacto nos preços.

Por outro lado, as restrições de circulação necessárias para conter a disseminação da Covid-19 trouxeram consequências para o setor de serviços. Entre as principais quedas de preços em 2020 estão passagens áereas (-17,15%) e hospedagem (-8,07%), por exemplo.

Abaixo, confira a lista de maiores altas e quedas de preços em 2020.

20 maiores altas

- Óleo de soja: 103,79%

- Arroz: 76,01%

- Feijão fradinho: 68,08%

- Batata-inglesa: 67,27%

- Laranja-lima: 53,1%

- Tomate: 52,76%

- Batata-doce: 48,1%

- Repolho: 46,43%

- Cenoura: 45,98%

- Feijão preto: 45,38%

- Laranja baía: 44,23%

- Maçã: 42,76%

- Banana-d'água: 39,28%

- Peixe tainha: 38,98%

- Banana-maçã: 38,55%

- Colchão: 36,93%

- Morango: 36,56%

- Abobrinha: 34,58%

- Pimentão: 34,16%

- Carne de Peito: 33,99%

20 maiores baixas

- Passagem aérea: -17,15%

- Limão: -14%

- Agasalho feminino: -13,78%

- Mochila: -11,81%

- Agasalho infantil: -10,53%

- Agasalho masculino: -9,01%

- Ônibus interestadual: -8,32%

- Hospedagem: -8,07%

- Móvel para copa e cozinha: -8,03%

- Seguro voluntário de veículo: -7,91%

- Peixe-serra: -7,8%

- Neurológico: -7,47%

- Saia: -7,38%

- Mudança: -7%

- Anti-infeccioso e antibiótico: -6,8%

- Filé-mignon: -6,28%

- Antidiabético: -6,26%

- Caderno: -6,23%

- Brinquedo: -6,05%

- Móvel infantil: -5,92%

Alimento como vilão

 O principal motor das altas de preços é a diferença entre a oferta e a demanda dos produtos. Quando a oferta é baixa e a demanda é alta, os preços tendem a subir. Na situação oposta, quando tem pouca gente querendo comprar e muita mercadoria para vender, o natural é que os preços caiam.

Mas, na situação atual do Brasil, surgiram novos "vilões": a procura por alimentos e commodities no mercado internacional e, principalmente, o dólar alto levaram a inflação de produtos às alturas. Todos os produtos, além de verem seus preços subirem em dólar, também sofrem efeito de uma desvalorização forte do real frente à moeda americana.

O real sofreu desvalorização recorde em relação ao dólar por causa das incertezas com o plano de recuperação fiscal brasileiro, juros mais baixos, crescimento tímido e a despreocupação do governo com o meio ambiente. E, sempre que o real se desvaloriza, acaba convidando os países a comprar do Brasil.

Por um lado, há melhora dos números da balança comercial. Por outro, acontece um desabastecimento do mercado brasileiro para itens que são matéria-prima para fabricação de alimentos que chegam às gôndolas. A alta da soja, por exemplo, aumenta o preço de ração animal, que se reflete nos custos da carne.

A principal vilã da inflação em 2020 foi a alimentação. Os preços do conjunto de alimentos e bebidas tiveram alta acumulada de 14,09% ao longo do ano, o maior aumento desde 2002 (19,47%). Segundo o IBGE, os alimentos responderam sozinhos por quase metade da inflação do ano, com um impacto de 2,73 pontos percentuais sobre o índice geral.

Depois da alimentação, o segundo maior impacto sobre a inflação de 2020 partiu da habitação, que acumulou alta de 5,25% no ano.

 

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