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Crônica

Soneto sem título

Crônica de Carlos Rubem

01/02/2021 15h37
Por: Lameck Valentim

Por Carlos Rubem

 

O então Padre Balduíno Barbosa de Deus, oeirense, foi Secretário Estadual de Educação durante o governo Helvídio Nunes (1966 – 1970). Era muito amigo dos meus familiares. Em determinado dia do ano de 1967, esteve, certa feita, na Casa de Fazenda Canela, zona urbana de Oeiras, onde passávamos temporadas.

Trouxe um presente que havia saído do forno: “Caminheiros da Sensibilidade – 2º volume”, livro de autoria do jornalista J. Miguel de Matos, em que traça o perfil biográfico de 16 literatos piauienses, dentre eles três oeirenses, a saber: o próprio Balduíno, José Expedito de Carvalho Rêgo e José Vidal de Freitas. Menino curioso, li primeiro as anotações acerca dos meus ilustres conterrâneos, em especial do meu padrinho Zé Expedito, o que me deixou sumamente orgulhoso.

Em 1971, com a colaboração dos talentosos escribas Possidônio Queiroz e Dr. Raimundo da Costa Machado, José Expedito Rêgo passou a editar o mensário “O Cometa”, que, até em 1976, esteve em órbita.

O meu pai, Ditinho Reis, pragmático, não era muito afeito às cousas do espírito. Sensível, minha mãe, Aldenora Campos, me deu o dinheiro necessário para pagar a anuidade do aludido jornal de cunho literário. O velho Possidônio ficou muito satisfeito quando firmei o contrato de assinatura. No fim daquele ano fez questão de noticiar meu natalício, a primeira vez que meu nome foi estampado nalguma publicação. Adorava ler as produções poéticas do fundador daquele periódico, além do editorial e relatos históricos.

Posteriormente, com muita avidez, tomei conhecimento e muito propalei os seus romances: Né de Sousa (O Vaqueiro e o Visconde – 2ª edição), Malhadinha, Vidas em Contrastes, Caminhos da Loucura e Crônicas esquecidas (in memoriam”).

Achei por bem, em 1995, enfeixar em livro – Edições Cara-de Pau – uma série de contos da lavra do José Expedito Rêgo, originalmente publicada em “O Cometa”, sob o título “Estórias do tempo antigo”, cujo prefácio é do Oton Lustosa. Esta obra foi lançada em memorável noite em Oeiras, sucesso de venda! A sua apresentação coube ao poeta Paulo Machado.

Nesta toada, não me conformava que a produção poética do meu estimado padrinho deixasse de vir a lume. Com sua anuência, consegui formatar “Horas sem Tempo”. A impressão deste livro só se materializou com o decisivo concurso do jornalista Bruno dos Santos, de Floriano, cidade onde ele morava no final de sua vida.

A meu ver, muitas outras composições poéticas poderiam constar de “Horas sem Tempo”, mas o autor, muito exigente consigo, selecionou apenas um punhado de poemas.

Neste meio termo, a cada revisão que fazia deste livro levava ao conhecimento do seu autor. Da última vez que isto ocorreu, a sua anuência me veio pelos Correios em forma de soneto, sem título, datado do dia 1º de março de 1998, a seguir transcrito:

 

Estou devolvendo as “Horas

sem Tempo”, no tempo urgente

que me pediu... Diligente

costumo ser... As demoras

 

correm por conta da vida

que não dá tempo a nada,

quando não fica parada

sem que-fazer, distraída.

 

O livro, agora, correto

não precisa mais de emendas,

vá em frente, siga reto!

 

Muitas vezes diminutos

enganos são até prendas

para os poetas matutos!

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