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Infarto entre jovens cresceu 13% em oito anos, segundo o Ministério da Saúde

Isso reflete o aumento de hábitos não saudáveis que colocam em risco a vida de pessoas nessa faixa etária.

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16/02/2021 17h35
Por: Lameck Valentim
Fonte: Portal O Dia

Nas últimas semanas, ao menos três casos de óbitos por infarto e mal súbito foram constatados em crianças e uma adolescente no Piauí. Um dos casos foi registrado no dia 04 de fevereiro deste ano, e ocorreu com um menino de apenas 12 anos, enquanto ele teve um infarto fulminante na escola. As ocorrências acenderam um alerta para maior atenção e cuidados ao público infantil a fim de evitar que surjam novos casos. No Brasil, o número de jovens vítimas de infarto tem crescido significativamente. Segundo o Ministério da Saúde, de 2013 para cá os episódios de infarto entre adultos com até 30 anos subiram 13%. Isso reflete o aumento de hábitos não saudáveis que colocam em risco a vida de pessoas nessa faixa etária.

Doenças cardiovasculares podem acontecer em qualquer idade e fase da vida. Crianças e adolescentes estão se tornando cada vez mais obesas e, devido à má alimentação, os níveis de colesterol também estão elevados. Em termos nacionais, estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram crescimento de 6,5 vezes da obesidade em meninos e meninas de 5 a 9 anos desde 1974. Hoje, o problema atinge 16,6% dos meninos e 11,8% das meninas.

Felizmente a morte súbita não é comum em crianças e quando ocorre, o infarto é uma das causas mais raras. Dentre as causas mais notáveis como causa de morte súbita em crianças estão anomalias congênitas (principal cardiomiopatia hipertrofia), arritmias dos canais iônicos, anomalias das artérias coronárias, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e crises convulsivas. Diabetes, colesterol alto, dentre outros aspectos são fatores de risco. O aumento das taxas de colesterol e glicemia favorecem o aparecimento de doenças, tardiamente. Sendo assim, é importante a prevenção de doenças com a implementação na rotina de atividades físicas e alimentação balanceada”, explica o cardiologista e ecocardiografista Frederico Oliveira (foto abaixo).

Em 2020, estudos apontaram que complicações cardiovasculares aumentaram durante a pandemia de coronavírus. No período de quarentena, as mortes por infarto e derrame cresceram 31,82% no Brasil, segundo a SBC, em relação ao ano anterior. Já segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) o número de mortes por doenças cardiovasculares cresceu até 132% no Brasil durante a pandemia.

Frederico Oliveira comenta sobre a associação de morte súbita com o novo coronavírus. “Apesar de sabermos hoje que a Covid é uma doença trombogênica e também que pode levar a miocardite (inflamação do músculo miocárdio), no momento não se pode afirmar que existe uma associação direta entre Covid e aumento de casos de morte súbita em crianças. Tem sido notado doença de Kavasaki (Inflamação dos vasos sanguíneos) em alguns pacientes meses após infecção por Covid, com sintomas clássicos que podem ser suspeitos por conta de sinais e sintomas e, felizmente, em raros casos”, disse o cardiologista.

 Infarto em crianças é extremamente raro, diz cardiologista

 A morte de um menino de 12 anos, vítima de um infarto fulminante dentro de uma escola particular no Centro de Teresina, chocou a cidade no dia 4 de fevereiro. O caso não é o primeiro registrado este ano no Piauí. Todavia, o cardiologista pediátrico Marcelo Madeira explica que esse tipo de evento é extremamente raro em crianças. Isto porque os fatores de risco mais comuns para doenças cardiovasculares, como colesterol alto, tabagismo, hipertensão e diabetes, não conseguem comprometer a função cardíaca a tempo de causar um infarto ainda na infância.

A morte súbita em crianças é um evento extremamente raro, principalmente quando associado à doença do coração. Para deixar claro, o paciente quando enfarta, normalmente, tem um acúmulo de colesterol, de gordura nas artérias, acumulados durante anos. Não é impossível que aconteça em crianças, mas a causa mais comum são doenças genéticas ou doenças estruturais do coração. Outra causa bastante plausível seria a presença de arritmia de causa congênita, que é quando a criança já nasce com o problema”, explica.

Fora do coração, você teria outras explicações: más formações de vasos cerebrais, que podem levar a um AVC e convulsões, por exemplo, que também são causas de mortes súbitas. Embora essa correlação de infarto seja muito comum em pacientes adultos acima dos 40 anos; em crianças, o infarto fulminante é improvável, mas não é impossível”, completou.

 Relação com Covid

 No caso do menino vítima de infarto na escola, pouco depois da divulgação da morte, circulou nas redes sociais a informação que ele teria contraído Covid-19 no ano passado. No entanto, a escola do garoto não confirmou a informação e nem qualquer ligação da causa da morte com o coronavírus. Madeira comenta a associação entre Covid-19 e infarto.

Nós estamos aprendendo sobre a Covid-19. É prematuro afirmar com certeza que foi por causa da doença, mas também não podemos descartar essa possibilidade. A gente sabe que o coronavírus pode provocar uma inflamação no coração, que provoca alteração no órgão e surgimento de arritmia. Contudo, este evento é mais comum na fase adulta”, pondera.

 Sintomas não devem ser subestimados

 Mesmo sendo raro em crianças, é importante que os sintomas de um infarto não sejam subestimados. Os sinais mais comuns são dor ou pressão sobre o peito; dor ou desconforto nos braços, costas, estômago, mandíbula ou pescoço; sensação de falta de ar; tontura; sudorese; e náusea.

 O que a gente tem orientado é que pacientes que tiveram o coronavírus ou então crianças que depois que tiveram a doença apresentarem manchas vermelhas no corpo, associada à febre, dor no coração, sensação de palpitação, arritmia, cansaço, palidez, devem passar por uma avaliação médica”, indica o cardiologista.

Apesar dos sinais de doenças cardiovasculares, em geral, não se manifestarem precocemente, é importante ficar atento. De acordo com Marcelo Madeira, não se deve subestimar uma dor que seu filho se queixe de sentir. Leve-o sempre ao médico mais próximo, pois quanto antes ele receber atendimento, maiores são as chances de sobrevivência.

Outra orientação é pesquisar o histórico familiar para doenças cardíacas. Se houver casos de parentes que tenham morrido precocemente por conta de um problema no coração, os pais devem prestar ainda mais atenção na saúde do filho.

 Outros casos precoces

 A morte prematura de Pedro Malta Pachêco, de 12 anos, nesta quinta-feira (4), se soma a outros dois casos registrados este ano. No mês passado, uma criança de apenas 11 anos, identificado como Arthur Valentim , faleceu depois de sofrer um infarto enquanto brincava com os primos no sítio do avô, na zona rural do município de Luís Correia, litoral piauiense. Arthur era neto do exvereador e secretário de Administração de Luís Correia, Carlitus Machado. O caso aconteceu no dia 11 de janeiro.

 Dois dias depois, a adolescente Camille Vitória Vasconcelos, de 16 anos, morreu após sofrer um infarto fulminante durante uma caminhada na Avenida Beira Rio, no município de Picos, no Sul do Piauí. Ela realizava uma caminhada na companhia da mãe no final da tarde quando apresentou fortes dores no peito. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e prestou os primeiros socorros. Ela faleceu a caminho do hospital.

 

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