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O humor pode nos curar e devolver esperança

Por José Osmando de Araújo/ Mundo Cidadão

09/03/2021 17h45
Por: Lameck Valentim
Fonte: Mundo Cidadão/José Osmando de Araújo- Meio Norte

Todos vemos que o Brasil atravessa uma das mais terríveis quadras de sua história, com seus 14 milhões de desempregados, cerca de 32 milhões de pessoas vivendo na linha de pobreza extrema (sem acesso às condições básicas de alimento, teto, educação e saúde), uma situação agravada desde começos de 2020 pela chegada da pandemia do coronavírus, e recentemente piorada pelo fim do auxílio emergencial que vinha sendo pago pelo governo. 

Muito além das desgraças ocasionadas pela grave crise econômica por que passa o Brasil, a permanência da pandemia do coronavírus, por já um ano, potencializada pela incerteza quanto ao desaparecimento da doença, especialmente pela falta de vacina que imunize as pessoas, está tornando comuns nos lares brasileiros, em cada pessoa, individualmente, manifestações de desamparo, tédio e raiva. Uma consequência do fato real de que quase todos perderam a liberdade de ir e vir – resultado evidente do isolamento social absolutamente necessário-, e muitos, além disso, perderam a liberdade e o direito de trabalhar, de viajar, de frequentar o bar, de abraçar, de beijar. 

Isso se faz sentir de modo muito especial nas crianças. Fora da escola, perderam o contato com seus amiguinhos, estão privadas das brincadeiras, que são a essência da vida infantil, e mesmo aquelas poucas que já tiveram a oportunidade de retorno às aulas presenciais, descobre-se nelas uma realidade de estranheza, certamente decorrência do uso da máscara de proteção que elas e seus professores são obrigados a usar. Como as manifestações de reconhecimento das crianças são essencialmente gesticulares e de toque, a nova condição de convivência lhes traz esse visível estranhamento. 

Diante de tanta desolação, incerteza e medo, vejo a necessidade de olharmos para dentro de nós mesmos e buscarmos nas entranhas da nossa mente e do nosso espírito, a força necessária para nos fazer capazes de realizar essa difícil travessia e retomarmos o sonho. 

Sempre acreditei que o bom humor, o riso, a leveza mental e a força do espírito são ingredientes essenciais, básicos, necessários, para o enfrentamento adequado às intempéries e revezes da vida. 

Ariano Suassuna, esse escritor, romancista, poeta, produtor teatral, que nos legou obras da grandeza de Auto da Compadecida e manifestações artísticas da dimensão do Movimento Armorial, era um sujeito de abençoado bom-humor. Não apenas no que escrevia, mas sobretudo expresso nas suas magistra “aulas-espetáculo”, que permanecem encantando e fazendo rir, mesmo passados mais de seis anos de sua morte. 

Dizia Ariano: “Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver.” 

Para ele, a alma humana divide-se no hemisfério rei e no hemisfério palhaço. O que há de trágico, é ligado ao primeiro, e o que há de cômico, ao segundo. O hemisfério rei se complementa com o hemisfério profeta. O hemisfério poeta, com o palhaço.  

E completava: “No meu entender o ser humano tem duas saídas para enfrentar o trágico da existência: o sonho e o riso.” 

A psiquiatria já nos ensina que o riso cura.  

Mas, fiquemos com Ariano nesse seu memorável legado do humor. Que sejamos, então, capazes de incorporar o riso às nossas vidas atormentadas, de modo a tornar amena essa dura e fascinante tarefa de viver.

 

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