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Crônica

Quando a chuva passar

Crônica de Sânia Mary Mesquita

19/03/2021 18h51
Por: Lameck Valentim

*Por Sânia Mary Mesquita

 

Quando uma tempestade se aproxima o normal é buscar abrigo até que ela passe.

Em dezembro de 2019 havia relatos de “uma pneumonia de origem viral e misteriosa” na China, doença que, posteriormente, foi renomeada de COVID-19, ganhou o mundo, alcançando o status de pandemia, assim classificada pela Organização Mundial de Saúde -OMS em 11/março/2020.

A nova classificação atribuída pela OMS, por seu diretor geral Tedros Adhanom, se deveu, naquele momento, à velocidade da disseminação geográfica do vírus, que em curto lapso temporal já alcançava Ásia e Europa, e já chegava às Américas, causando preocupação nas autoridades em todas as esferas de poder.

Etimologicamente, pandemia tem origem na palavra grega “pandemías” usada para designar “todos os povos”. E não houve recanto do planeta Terra que não tenha sido afetado pela nova realidade trazida pela pandemia.

E eis que a tempestade nos alcançou, há exatamente um ano, promovendo total mudança de hábitos, forçando-nos ao recolhimento, alterando a forma de contato, de trabalho, de estudo, de socialização, de viver.

Em 18 de março de 2020 nosso núcleo familiar decidiu por se isolar, numa nova rotina de vida, com saídas de casa cada vez mais esparsas, com uso de equipamentos de proteção para cada uma dessas necessárias investidas ao mundo exterior, trabalho remoto, crianças em estudo na modalidade não presencial e a incerteza pairando sobre nossas cabeças.

Nesse intervalo de vasta experiência no mergulho no desconhecido, muito aprendizado construímos, muitos obstáculos transpusemos, muita vontade passamos, muitas palavras calamos, muitas oportunidades dispensamos, muitos livros lemos, muitas amizades virtuais fizemos.

A ventania trouxe muitas dores e lágrimas, vendo e compartilhando o sofrimento das famílias (da nossa, das famílias próximas e daquelas que nem conhecemos).

E nos trouxeram um guarda-chuva.

A descoberta da vacina (das vacinas) foi um sinal de que a ciência, inspirada pela Suprema Inteligência, poderia (e pode) nos salvar de sermos encharcados ou mesmo afogados nessa tempestade.

A segunda camada de chuva se transformou em enxurrada: longa, forte e persistente. E não há guarda-chuva para todas as pessoas, nem capa de chuva.

Colocamos a cabeça fora para avaliar os estragos já causados – e não foram poucos, a devastação é gigantesca. O que podemos fazer é permanecermos sob o abrigo em que estamos, com gratidão por tê-lo para nossa proteção.

Alimentamos nossas esperanças para os dias de sol que estão por vir. Vamos nos adaptando a novas realidades, lamentando algumas, comemorando por outras. E vivendo tudo o que há pra viver.

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