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Crônica

Bom Jesus, nos teus passos busco Socorro!

Crônica de Cassi Neiva

25/03/2021 18h05Atualizado há 3 semanas
Por: Lameck Valentim
Foto: Adleuza Pacheco
Foto: Adleuza Pacheco

    Por Cassí Neiva

 

E chega mais uma Sexta-feira de Passos, a segunda da onda pandêmica da Covid-19 que impossibilita os passos físicos dos milhares de romeiros nas ruas da urbe mochina em procissão ao Bom Jesus.

No meu forte imaginário católico, estou na procissão e saindo do alto da colina do Rosário, sigo junto com inúmeros devotos e promesseiros os Passos do Bom Jesus.

Envolta de muitas metáforas, imagino a grandiosa caminhada do roxo simbolizando o sofrimento de Cristo para o Calvário, sendo transportada na dor de tantas famílias que perderam seus tesouros sanguíneos para esta peste hedionda.

No canto de Maria Beú, anunciando a dor de Cristo, sinto avolumado, em meus ouvidos e em minha alma, o choro da despedida sem adeus, pela perda de um amado irmão e pelos tantos e tantos outros seres humanos ceifados por este vírus nefasto, e, no som do Miserere, transporto-me para  o afã de termos a compaixão de Jesus e a certeza da renovação do Espírito firme em meu peito.

A parada em cada Capela (Passo), representa em meu âmago a minha oração, súplica pelo banimento dessa perversa doença; sinto, na Flor de Passo e no alecrim, cheiro de vidas curadas e inimigo pandêmico solapado.

E nesse conjunto de sentimentos antagônicos, a confiança no Bom Jesus dos Passos apropria-se de minha alma e continuando, mentalmente, na procissão, com ardor e fé, deparo-me no ponto máximo deste grandioso ritual católico: o encontro do Bom Jesus com Nossa Senhora das Dores. Nesse elo de puro amor e comunhão de almas entre mãe e filho, sinto pulsar fortes lampejos de esperança e, no meu peito, o brado: Jesus e Maria, salva-nos!

E ungida por esta força celestial de que com eles não estou só, prossigo a caminhada e adentro no templo da Velha Matriz e diante da imagem do Bom Jesus, robusteço a minha crença, tocando em seus cabelos e cantando baixinho um fragmento do teu Ofício: ‘’Sede em meu favor / Deus Onipotente / Vinde socorrei-nos / Sede Diligente.’’ E na Virgem das Dores, toco em seu manto e também rezo: Rogai por nós, Santa mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.      

Após o término deste fecundo ato litúrgico, deixo o templo vitoriano, saindo pela porta da frente e pelo Sinal da Santa Cruz, o meu coração pede, implora: Bom Jesus, nos teus passos busco Socorro! Cessa do mundo os passos malignos desse gigante antivida, pois o teu poder arrebata todo o mal do mundo.  

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