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Crônica

Em tempo pandêmico todo mundo é importante, ninguém é alguém

Crônica de Moisés Reis

18/05/2021 16h49
Por: Lameck Valentim

*Por Moisés Reis

 

Começo do ano de 2020. O mês de fevereiro havia meado e já naquela época começava a se ouvir notícias de misteriosa doença, ainda muito distante de nós, existente lá pelas bandas do Continente Asiático, causada por vírus que, sob a forma de gripe e falta de ar, atacava principalmente os pulmões. A Organização Mundial de Saúde anunciava estar o mundo sofrendo um surto pandêmico, “doença epidêmica amplamente difundida”, conforme descrita no dicionário “Aurélio”. Sucintamente definida, não dá para avaliar quanto o mal pode ser avassalador, em qual amplitude pode um surto pandêmico se espalhar pelo mundo, e que consequências trágicas é capaz de causar.

Essa atual pandemia, de caráter universal, trazida pelo coronavírus, não é a primeira a fustigar a humanidade. Deitando um olhar sobre o passado, descobre-se que esse famigerado mal acontece desde tempos imemoriais, desempenhando relevante papel na história humana, desde a Revolução Agrícola, provocando crises políticas e econômicas, além de causarem verdadeiras hecatombes deixando, em sua trajetória, muita aflição, depressão, medo e mortes, milhares de mortes.

As civilizações antigas foram vítimas desses momentos agônicos, sem nada ou pouco podendo fazer, dependendo muito da própria sorte. Naqueles longínquos tempos a ciência se fundava tão somente no empirismo, não havia o conhecimento objetivo da realidade, muito diferente de agora, em que o progresso na área sanitária, o desenvolvimento da medicina e o esforço dos cientistas, permitiram a descoberta da vacina de combate ao vírus, em tempo extraordinariamente curto. Graças a esse grande prodígio, a humanidade deixou de ser refém da própria sorte, embora milhões de pessoas já tenham sido vítimas desse algoz e funéreo vírus,

De fato, a tragicidade que vivemos, após mais de um ano de pandemia, é singular, posto que o planeta inteiro, continua sofrendo, quase indefeso, as ações desse mal invisível. A humanidade se dá conta da sua fragilidade diante do vírus e descobre que, sem outro meio, a única forma de combater sua propagação, será reagir através do esforço conjunto, concertado, de todos, gerando compaixão, generosidade e sabedoria e, sobretudo, acreditando na ciência.

A crise é global. Quem sabe, a maior do último século. Ainda não se encontrou alternativa de como superar os desafios futuros, pós pandemia. Se o problema é mundial, então o plano para solução haverá de ser através da solidariedade e efetiva cooperação internacional, sem isso, todos continuaremos refém da doença.

O Brasil assiste, entre tristeza e dor, a morte de milhares de brasileiros. Tal mortandade, que poderia ser pelo menos diminuída, infelizmente não ocorreu pelo fato de que o espírito de nação, que se aviva quando todos se juntam para enfrentar o mesmo problema, não esteve presente em nosso país, a partir da primeira notícia da chegada da pandemia no país. Dirigentes políticos, oportunistas, possuídos de abjeta avidez pelo poder, ainda agora praticam a arte de conciliar os interesses próprios, fingindo conciliar os da coletividade. Nesse clima de desconfiança, medo e morte, digladiam-se, indiferentes à indeclinável certeza de que, nesse momento, todos precisam de todos; a solidariedade há de sobrepor-se à vaidade, sendo imperioso não fugir do senso comum de que o momento é de união, afinal, um bem maior, a vida de milhões, precisa ser protegida.

Nunca como agora, a assertiva de que somos animais sociais se avulta tão evidente. Vimos o quanto é necessário abraçar, sentir o contacto físico dos amigos e parentes. Mas não só os amigos e parentes passaram a ser fundamentais nas nossas vidas. Cada pessoa tornou-se importante para o semelhante, na mesma medida em que este também o é, adotando os cuidados sanitários para não deixar que o mal se alastre. Assim, todos somos importantes nesse mister. Dependemos da solidariedade do vizinho importante, que também depende da nossa. Ou seja, ninguém neste instante de agonia e aflição deve se achar diferente para deixar de cumprir papel igual ao do outro, elegendo mútuo comportamento sanitário. De tal arte, conclui-se que, quando todo mundo é importante, ninguém é alguém!

 

*Advogado - Membro da Academia Piauiense de Letras

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